Todo cidadão francano que frequenta as vias da cidade já se acostumou ver cães em situação de abandono por todo lado. Esses animais muitas vezes são encontrados em ruas, praças, terrenos abandonados e até mesmo em rodovias. A fim de proporcionar uma vida melhor para esses cães, diversos grupos de proteção animal, canis e pessoas vêm realizando campanhas para estimular a adoção. Em Franca, por exemplo, nos grupos Cão que Mia, É o Bicho, Amor Vira Lata e Associação Só Patinhas existem cerca de 500 cães disponíveis para adoção.
Para Aleni Papacídero, da É o Bicho, esse número se deve à falta de responsabilidade das pessoas por não castrarem e abandonarem seus animais. “Deixam as cachorras sem castrar e quando dão cria colocam na rua, tanto as mães quanto os filhotes, ou acham que os protetores têm obrigação de acolhê-los. Ainda ironizam dizendo que somos voluntários por opção e temos obrigação de realizar o trabalho.”
A fim de fazer um trabalho mais adequado nessas instituições, antes de qualquer processo adotivo, os cães têm todo um tratamento para entrar no processo de doação: são observadas a existência de pulgas ou carrapatos, em seguida uma vermifugação, exames de sangue e castração, feita apenas quando o animal deixa de ser filhote. No entanto, nem todos os canis fazem esse trabalho, pois na maioria das vezes falta dinheiro. “Tem que aplicar uma vacina e levá-lo pra adoção. Mas nem todos os protetores conseguem fazer tudo isso, por falta de recurso financeiro”, explica a médica veterinária Sabrina Manzoli.
Quando realizado, os grupos utilizam as redes sociais e campanhas em vias públicas para chamar a atenção da população.
Nesses locais todos os tipos de cães são encontrados, desde filhotes até adultos. Mas, de acordo com a ativista Lindsay Cardoso, existe uma preferência pelos filhotes, já que são mais fáceis de cuidar. “A maioria não da adoção, já que são velhos, aleijados, amputados, medroso ou que morde. As pessoas só querem filhotes.”
Justamente por essa preferência acontece um acumulo. Os que permanecem acabam envelhecendo nos canis, fazendo com que os grupos tenham que manter e cobrir os gastos com ração e remédios, em caso de doença. “Temos aproximadamente 300 animais sob nossa responsabilidade, mas muitos são idosos, deficientes e doentes crônicos, que ficam nas residências dos voluntários”, disse Milena Primon, voluntária do grupo Cão Que Mia.
Os grupos fazem ações semanalmente para que os animais encontrem uma nova família, como a Cão que Mia, que fica presente em frente a Padaria Estrela, todos os sábados ou os grupos Amor Vira Lata e Associação Só Patinhas de Rua que podem ser encontrados uma vez por mês no centro ou aos sábados no supermercado Toninho, na avenida Champagnat, mesmo local e horário da É o Bicho.
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