As chuvas desta quarta-feira, 5, deixaram o cemitério Santo Agostinho em situação delicada, com pelo menos 10 sepulturas comprometidas. No último mês, no entanto, uma família viveu momentos ainda piores. Logo após uma chuva intensa, coveiros do cemitério tentaram sepultar um corpo com a cova alagada eo desfecho causou dor e revolta.
“Você não faz ideia da minha dor. Dia 14 de janeiro perdi minha mãe. Antes do sepultamento tinha chovido e os coveiros não tiraram a água da cova. Eles tentaram colocar o caixão em cima da água. Um bando de gente sem amor ao próximo. As pessoas que estavam comigo nessa hora, de tanto sofrimento, tentaram avisar que o caixão viraria. Dito e feito. O caixão virou no meio do barro. Enfim, desde então, não consigo dormir. Toda hora me dá crises de choro. Aquela cena de falta de respeito vem na minha cabeça, uma dor sem fim. Uma humilhação ter passado por tudo o que passei e o que estou passando”, comentou Eliane Biana Lucas Teixeira.
Eliane é filha de Luiza Biana Lucas, 84 anos, que faleceu no dia 15 de janeiro. Nos registros feitos pela família, presente no local, é possível ver o caixão sujo de barro após ter virado na água. A filha de Luiza ainda relata que, depois da situação constrangedora, o grupo de coveiros teria abandonado o local. “Ficou só um coveiro e eles estavam em uns cinco ou seis. Meu esposo e meu pai que ajudaram tirar a água da cova”.
Depois da revolta, os familiares acionaram a direção do cemitério. “O administrador veio, tentou ajudar também, pegou um balde, mas ficou por isso mesmo”, disse Eliane
RESPOSTA
Na quinta-feira, 6, o secretário de Obras e Serviços, Adriano Tosta, disse que recebeu as informações sobre o ocorrido. De acordo com ele, a versão dos coveiros é que pouco antes do enterro começou a chover forte no cemitério e não havia outra alternativa a não ser enterrar o corpo. “Com a chuva que se formou, não dava para aguardar e eles tomaram a decisão de enterrar. Mas, infelizmente, houve o ocorrido”, disse
O secretário alegou que devem ser providenciadas coberturas para serem instaladas durante enterros em dias chuvosos. “Lamentamos o ocorrido com os familiares. Mas os coveiros não agiram por má fé ou descaso”, afirmou Adriano.