11 de julho de 2026
ENSINO SUPERIOR

Movimento universitário: estudantes devem movimentar R$ 300 mi em Franca neste ano


| Tempo de leitura: 4 min
Gianlucca Contiero, 23, de São José do Rio Preto; Victor Eduardo de Souza, 23, de Hortolândia; Lucas Passos, 24, de Penápolis; Gustavo Candido , 24, de Ribeirão Preto e Lucas Wellington, 25, de São Bernardo do Campo

Conhecida como Capital do Calçado, nos últimos anos Franca cresceu também no setor da educação superior e, com pelo menos quatro grandes universidades, tem atraído cada dia mais alunos das mais diversas partes do País que chegam à cidade para frequentar uma faculdade. A oferta de cursos reconhecidos pelo MEC (Ministério da Educação) atrai jovens que almejam um futuro profissional promissor e, atualmente, aproximadamente 9 mil estudantes de outras cidades cursam o ensino superior em território francano.

Na Unifran, segundo dados da própria universidade, metade dos alunos matriculados em cursos presenciais é de outras cidades. Na Unesp, os números são ainda mais expressivos: mais de 86% dos estudantes são de outros municípios. Já no Uni-Facef, 25% dos alunos são de fora.

E esta realidade, além de movimentar e fomentar o setor educacional local, também influência positivamente o mercado imobiliário, de alimentação e até o de entretenimento. Prova disso são os comércios nos arredores das faculdades que, em períodos de férias, costumam receber um número menor de consumidores e, em muitos casos, tornam-se desertos entre o fim de novembro e início de fevereiro.

Dados do Instituto de Economia da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) apontam que os jovens que chegam à Franca para estudar em uma das universidades locais movimentam, em média, mais de R$ 300 milhões por ano. A estimativa leva em consideração o percentual de alunos de outras cidades que fazem curso superior na cidade e tem como base as informações da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF/IBGE), além do valor médio de custo de vida na cidade de Franca.

De acordo com a pesquisa, o setor que mais se beneficia com a chegada de estudantes de outras cidades é o de habitação, movimentando mais de R$115 milhões por ano, seguido pela alimentação, em que os jovens gastam mais de R$ 63 milhões e o de transporte onde os gastos são de aproximadamente R$ 59 milhões ao longo dos meses com aula.

O setor de transportes é um dos que mais sentem falta dos estudantes e a proximidade da volta às aulas já anima alguns trabalhadores. “Estou ansioso para os estudantes voltarem. Faço uns 60% ou 70% a mais de corridas quando o período de aulas está normal, é uma beleza!”, afirmou o motorista de aplicativo que preferiu não se identificar. Quando perguntado sobre o número de passageiros que leva e busca nas faculdades e que não são de Franca, ele ressalta que a maioria é de outras cidades: a cada 10, 8 são de fora.

No setor imobiliário, o aumento da busca por imóveis, principalmente nos meses de janeiro e fevereiro, onde normalmente acontecem as mudanças e a vinda dos jovens para a cidade, cresce até 20%. Segundo as imobiliárias as regiões mais procuradas são o Parque Universitário, nas proximidades da Unifran; Cidade Nova e Centro, nas imediações da FDF e do Uni-Facef; e também na região da Unesp.

Responsável por parte dessa movimentação, o aluno da Unesp e integrante da República King Size, Gianlucca Contiero, de 23 anos, há 4 anos veio de São José do Rio Preto e relata que os maiores gastos que ele tem mensalmente são justamente dos setores mais impactados com a mudança. “A primeira coisa que você busca quando chega na cidade é um lugar para morar, então logo você está procurando imobiliárias ou repúblicas para se estabilizar”. Quanto aos gastos do dia a dia, “sempre que possível vou ao estágio de Uber”, relatou o estudante de direito.

Outro integrante da República, Gustavo Candido, de 24 anos, natural de Ribeirão Preto, conta: “são diversos setores que os alunos movimentam, eu mesmo sempre estou levando minha bicicleta para arrumar, vou ao mercado quase todos os dias, fora tabacarias e outros comércios”.

Para Lucas Wellington, 25 anos, que veio de São Bernardo do Campo, também integrante da casa, os gastos são altos, porém o fato de dividir o imóvel com outras pessoas ajuda. “Fomos reformar a casa e só de tinta gastamos R$5 mil. Imagino que esse gasto aconteça também nas demais repúblicas da cidade.”

A República King Size é um bom exemplo do impacto causado pelos jovens que escolhem Franca para cursar sua graduação. Hoje todos os moradores são de fora de Franca, mas isso não é novidade. Há 10 anos a república recebe jovens de diversas cidades que se mudam para estudar aqui.

Volta às aulas

Todas as universidades recomeçam suas atividades neste mês de fevereiro. Os veteranos da Unifran serão os primeiros a iniciar o ano letivo, já nesta segunda-feira, 3. Para os calouros, alunos que ingressam na universidade neste ano, o início das aulas está previsto para o dia 18.

Na Unesp as atividades começarão no dia 17 de fevereiro. No Centro Universitário Facef, assim como na FDF (Faculdade de Direito), as aulas voltarão mesmo dia, 10 de fevereiro.