10 de julho de 2026
REVOLTA

Empresa quebra contrato e prefeitura fica sem recolha de grandes animais


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Bairro Vida Nova, dia 16 de janeiro

Quem anda pelas vias francanas e frequenta praças tem se acostumado a ver uma concentração de animais de grande porte soltos, principalmente cavalos. No entanto, o que já era comum, ficou ainda mais frequente, já que no fim do último ano o serviço de recolhimento prestado pela empresa Ricardo Clínica Veterinária acabou tendo uma pausa inesperada devido a uma quebra de contrato. Com isso, o serviço de captura, manutenção, zeladoria e vigilância do canil não está sendo realizado.

Segundo o Secretário de Saúde, José Conrado Netto, em entrevista ao programa Hora da Verdade, da rádio Difusora, a empresa foi notificada após a quebra de contrato no dia 26 de dezembro. No entanto, nenhuma solução foi encontrada desde então. “Antes do fim de ano eles pararam. Notificamos para que voltassem em 48 horas e eles retornaram. Disseram que não teriam mais interesse em continuar após o término do contrato em fevereiro. Solicitaram que após a retirada, o animal fosse levado para uma zona rural. Fizemos isso. Mas no fim do ano eles não quiseram continuar.”

Durante todo o ano de 2019, 149 animais foram apreendidos. No primeiro semestre, o serviço estava a cargo de outra empresa, que também desistiu do trabalho. No segundo semestre, quem assumiu a tarefa foi a Ricardo Clínica Veterinária que, em dezembro, também perdeu o interesse de continuar. Após a desistência, a fim de agilizar a captura e resolver o problema, três orçamentos foram feitos e estão sendo analisados para que um contrato emergencial de captura seja firmado. “Tem uma empresa fazendo a vigilância do canil. Tem um processo na secretaria de Planejamento para construção de um muro em torno do canil. E vamos fazer a contratação dessa empresa emergencial.” , diz Conrado. De acordo com o secretário, o serviço demorará dez dias para retornar.

Os francanos, com medo de acidentes, passaram a fazer reclamações nos programas de rádio. O morador do Residencial São Domingos, Olídio Rossato, disse que nunca viu tantos animais em ruas do bairro. “Festa do Peão não é em Barretos?”, questionou.

Um morador do Residencial Vida Nova Franca, que preferiu não se identificar, conta que é “uma situação que não aguentamos mais. Cavalos pelas ruas invadindo os terrenos dos moradores e, pior de tudo, comendo os lixos e cheios de carrapatos.”

Apesar de não realizar a retirada, o Canil Municipal atende as denúncias através do 3703-9389 e tenta encontrar o proprietário do animal, que pode receber desde advertência até multas. “Vamos até o local e tentamos encontrar o proprietário para levar o animal a um ambiente onde ele deve ficar”, explicou o secretário.

Chipagem

Em agosto de 2019, a fim de auxiliar na identificação dos animais de grande porte soltos pelas ruas de Franca, o Projeto de Lei Complementar nº 27/2019, de autoria do vereador Corrêa Neves Jr. (PSD), foi aprovado. A nova lei obriga que um microchip seja inserido em qualquer animal retirado ou apreendido pelo canil Municipal. Desde a vigência da lei, 107 animais foram chipados.

Com isso, será possível identificar o dono do animal e, em caso de nova apreensão, saber se foi abandonado várias vezes. “Antes da chipagem, quando pegávamos um animal novamente, o proprietário pedia para outra pessoa retirar. Então nunca era autuado.” Agora, em episódios reincidentes, o dono será identificado e obrigado a pagar uma multa para conseguir retirar o animal.