11 de julho de 2026
HOMENAGEM

Uma semana antes de morrer, Juliano Cezar esteve em Franca com a mãe fazendo caridade


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O cantor sertanejo Juliano Cezar esbanjou carisma, trouxe a mãe para um show e até cantou de graça em Franca uma semana antes de morrer, na véspera do Natal

O prefeito de Passos-MG decretou luto oficial por três dias pela morte de Juliano Cezar. Franca poderia ter feito o mesmo pelos laços de amizade que o cantor sertanejo mantinha com a cidade. Teria sido justo. Antes de sua morte ocorrida durante um show em Uniflor, no interior do Paraná, no último dia 31 de dezembro, após uma parada cardíaca, o cow-boy passou dois dias em Franca. Ele chegou à cidade na manhã de segunda-feira, 23 de dezembro, para fazer um show na Morada du Capiau. Durante todo o dia, o cantor visitou amigos e emissoras de rádio. Juliano dormiu passou a noite num hotel e no dia seguinte participou do tradicional Almoço do Bem, para 2 mil pessoas carentes, no Castelinho. Naquela véspera de Natal, o sertanejo deu mostras de seus espírito generoso. Além de ir ao evento, cantou mais de 10 músicas - sem cobrar um tostão.

O empresário Lucas Renato de Souza, o Lucão, proprietário da casa de shows Morada du Capiau e amigo de Juliano, foi quem passou a maior parte do tempo ao lado do cantor no período em que ele esteve em Franca pela última vez.

“Ele tinha um programa na Rede Vida, que se chama Arena Brasil, exibido todas as sextas-feiras. Uma vez por mês ele gravava no Capiau. Cada vez que vinha Juliano gravava quatro programas. Vinham cantores de todo o Brasil, desde famosos até duplas que não são conhecidas. Nós também indicávamos alguns cantores para seu programa. No dia 23 de dezembro, ele fez o show aqui no Capiau e estava bastante tranquilo. Disponibilizou seu ônibus para fazer uma carreata pela cidade para divulgar o show. Durante o dia, eu o acompanhei em visitas às rádios de Franca, sempre com boa vontade e muita paciência”, lembra Lucão.

No último show realizado em Franca, aconteceram duas situações incomuns. Um amigo de infância de Juliano, que mora em Passos e está muito doente, veio assistir do show. Também a mãe de Juliano, de 81 anos, que raramente sai de casa, quis ver a apresentação do filho em Franca. “Juliano ligou pra mim dizendo que sua mãe estava vindo de Passos, junto com a irmã dele, e que era pra eu cuidar bem dela, arrumando um cantinho para assistirem ao show. Foi a última vez que ela viu o filho”, revelou o empresário.

Outro momento emocionante daquela noite foi o encontro com o amigo enfermo. “Esse amigo de infância do Juliano está bastante doente e debilitado, precisando até da companhia de um cuidador. Mesmo com muita dificuldade, seu irmão o levou ao show para que eles se reencontrassem. Juliano foi até o carro onde o amigo de infância estava. Apesar do amigo não conseguir mais falar, eles conversaram um pouco. Então o Juliano pode se despedir do amigo. Isso nos marcou muito”, relatou Lucão.

Naquela mesma noite, Juliano Cezar fez o show acompanhado da banda própria do Capiau. Cantou grandes sucessos seus como Não aprendi dizer adeus, Cowboy Vagabundo e Bem aos olhos da lua.

Antes do show, o sertanejo ainda encontrou espaço em sua agenda para malhar, se exercitando numa academia da cidade. Ele disse ao personal trainer que o acompanhava que, no passado, fumava muito, mas que estava levando uma vida mais saudãvel e equilibrada. Dificilmente imaginava que, uma semana, morreria de infarto fulminante em cima de um palco.

Pesar

O cantor Rionegro, da dupla com Solimões, que foi ao velório em Passos se despedir do amigo, lamentou muito a morte precoce de Juliano. “A música sertaneja perdeu um grande representante, Juliano Cezar tinha um estilo próprio, uma voz marcante e cantava com muita emoção. Também era um grande ser humano, um cara simples e humilde. Sempre de alto astral, contagiava todos por onde passava. Mas a vida é assim, um dia a gente chega e outro vai embora. Ficaram suas inúmeras canções. São essas que o tornarão eterno”.

O radialista Antônio Marcos, que tem um programa do gênero sertanejo na Estúdio 1 FM em Franca, também lamentou profundamente a morte do cantor. “Juliano gostava realmente do que fazia. Vamos sempre relembrar os grandes sucessos do cowboy vagabundo”.

Juliano Cezar tinha 58 anos e mais de 30 de carreira. Morava em Ribeirão Preto com a mulher. Foi sepultado em Passos-MG, sua cidade natal, onde moram seus familiares.

Almoço do Bem

A participação de Juliano Cezar no Almoço do Bem, no Castelinho, não estava programada. “A mulher do Agenor (Gado), presidente da Apae, parou o ônibus de Juliano quando fazíamos a carreata em Franca divulgando o show na segunda-feira, perguntando se ele poderia ir ao almoço no Castelinho na terça-feira, véspera de Natal. Ele não disse sim nem não. Ele dormiu em Franca naquele noite e de manhã me ligou: vamos lá. Chegando no Castelinho, ele iria cantar apenas uma música, mas acabou cantando mais de dez. Foi muito bom”, destacou Lucão, lembrando que Juliano também era fã do basquetebol francano.

Rosinha Aylon, uma das organizadoras do Almoço do Bem, disse que o ambiente fez ele ficar mais tempo no evento. “Seriam apenas uma ou duas músicas. Mas ele gostou tanto do ambiente que acabou ficando uma hora. Foi um presente que ganhamos e Juliano Cezar deixou marcas com uma apresentação beneficente antes de partir. Agradeço a todos da equipe dele e que Jesus possa o acolher com muito amor”.