08 de julho de 2026

Em busca do azul


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Todos os analistas de economia foram unânimes em reconhecer que a economia, no Brasil, conseguiu se mover depois da aprovação da Reforma da Previdência.

No balanço do ano que se foi, os especialistas em economia que falaram ou escreveram a respeito do cenário no País registraram um fato que é auspicioso, embora pudesse ser melhor, para este ano que começa. A economia, que parecia estar em estado de marasmo, sem dar sinais de avanço, começou a deslanchar. Ainda pouco, mas o suficiente para animar.

A péssima previsão para o PIB, que havia chegado ao fundo do poço em julho, não se confirmou nos dados de dezembro, felizmente. Os números revelaram-se melhores e alimentaram um certo otimismo manifestado nas compras de Natal e nas comemorações de Ano Novo. A inflação está baixa (à parte o preço da carne, problema pontual); os juros também sofreram queda, o que é vital para que haja novos investimentos. E o desemprego, que continua alto, iniciou um processo de leve queda. Aparentemente, o mercado começa a recontratar, ainda que em ritmo lento. O que se almeja é que continue constante.

O ano terminou, enfim, acima das expectativas que chegaram a ser assustadoras em meados de 2019. A mudança de rumo, que poderá se concretizar como alvissareira no primeiro trimestre deste 2020, deve-se, em grande parte, ao maior marco econômico, e também político, de 2019, a Reforma da Previdência, cujos méritos precisam ser atribuídos de forma justa. Porque se as últimas pesquisas divulgadas no final de 2019 registraram a baixa popularidade do presidente, não captaram o esforço do Legislativo, que trabalhou muito e bem ao longo de 2019. Os brasileiros ainda precisam se inteirar melhor sobre o complicado processo que faz a máquina pública girar. Não basta a fala, muitas vezes violenta, autoritária e estapafúrdia de Jair Bolsonaro. A democracia pede diálogo, conversa, negociações também. Sem essa dinâmica que busca conciliar os interesses de todos, nada avança.

Se o governo Bolsonaro apenas enviou o projeto ao Congresso, coube a este encaminhar, discutir e votar com inesperada e necessária rapidez. Rodrigo Maia, do Legislativo, e Paulo Guedes, do Executivo, foram os responsáveis diretos pelas negociações e ajustes que levaram à aprovação da Reforma. Ela abriu, como previsto, um leque de oportunidades para outras reformas e para a economia como um todo. Sem tal aprovação, provavelmente o País continuaria no estado em que estava quando Bolsonaro assumiu. Ou seja, patinando e quase parando.

Reforma finalmente aprovada e queda das taxas de juros foram os pontos positivos na economia do Brasil. Se a criação de empregos for contínua, revelando aumento da atividade econômica; se a receita crescer, como os analistas preveem; e, principalmente se o governo conseguir controlar as contas do setor público, diminuindo o rombo no orçamento, saindo do vermelho e buscado o azul, é de se supor que um ano melhor que o findo comece a se desenhar para os brasileiros. Que assim seja!

 

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