O Ministério Público de Franca segue juntando documentos para apurar as responsabilidades pelo desabamento de parte do camarote durante o evento que contou com show da dupla Jorge & Mateus, no Distrito Industrial, em Franca, no último dia 20.
Uma ‘força-tarefa’ formada por quatro promotorias foi criada para tratar do incidente que, por pouco, não se transformou em uma tragédia em Franca.
Na madrugada daquela noite, já no dia 21, o camarote de aproximadamente 2,5m de altura foi ao chão ferindo pelo menos 25 pessoas.
Exatamente uma semana após o incidente, o Promotor de Justiça, Murilo Lemos Jorge, da área do Consumidor, disse que as pessoas e empresas responsáveis pelo show estão sendo notificadas, em um inquérito civil. “O MP já expediu ofícios por e-mail aos organizadores, hospitais e Polícia Militar”, informou Murilo Jorge, nesta sexta-feira, 27.
O Promotor já havia dito que tudo será investigado, com possíveis punições aos responsável pela queda da estrutura do show. “O inquérito civil instaurado vai buscar todas as informações necessárias. Pessoas que parecem ser profissionais para realizar esse tipo de evento e acontecer uma coisa tão absurda, tão amadora. Outros dois promotores já trabalhavam em casos sobre evento na cidade. “Anderson Ogrizio e Carlos Gasparotto já tinham feito (TAC) Termos de Ajustes de Condutas com organizadores deste evento e outros também, prevendo multas por descumprimento de alguns itens como a fiscalização e a proibição de entrada de adolescentes nessas áreas onde há bebidas alcoólicas liberadas (open bar) e venda de bebida alcoólica em geral. Pelas informações iniciais que já temos, isso foi claramente violado”.
O incidente ocorrido no show também trouxe devolta à tona o problema da presença menores de idade em eventos open bar. “Já recebemos Boletins de Ocorrência de adolescentes que foram encontrados desacordados na entrada da festa. Temos até prontuários médicos da quantidade de glicose que foi ministrado ao adolescente”, destaca Murilo, adiantando que o MP também vai analisar a liberação de alvarás para esses tipos de evento expedidos pelos órgãos competentes e Prefeitura.
Uma das vítimas que se feriu no desabamento do camarote e precisou passar por uma cirurgia, Ana Flávia Pereira Cunha, 20, espera que os organizadores sejam punidos e responsabilizados pelo ocorrido. “Um dos organizadores já me procurou dizendo que vai arcar com todas as despesas. Meu advogado já reuniu com eles, correndo atrás de tudo.”, disse a Ana, que comprou o ingresso ao peço de R$ 90 através da promoção Black Friday (o preço normal da entrada no camarote era R$ 150).
O SHOW
O show foi realizado na noite da sexta-feira, 20, em um palco montado em um terreno no Distrito Industrial de Franca. Além da dupla sertaneja Jorge & Mateus, também faziam parte do evento a apresentação de dois DJs. Choveu durante todo o dia e também em alguns momentos do show. O local ficou escorregadio e com muita lama. O desabamento da estrutura de um dos camarotes ocorreu após apresentação da dupla sertaneja por volta das 15h30.
Mesmo com as pessoas feridas sendo atendidas por várias unidades do Samu, Bombeiros e Defesa Civil, o evento não foi paralisado. As 25 vítimas foram socorridas para hospitais de Franca, divididas entre a Santa Casa, Hospital São Joaquim e Regional.
“Tinha tanto barro que a gente subia a escada deslizando”, diz vítima
Ana Flávia Pereira Cunha foi a última vítima do desabamento do camarote do show a deixar o hospital. Ela ficou internada quatro dias e ainda precisou passar por uma cirurgia na perna. A jovem de 20 anos, que tem uma filha 10 meses, disse que o local não reunia as mínimas condições de realizar o evento. “Quando a gente chegou, o lugar estava sem condições, com muito mato, buraco e muito barro. Tinha até um fusca abandonado no local. Para conseguir entrar no camarote foi um caos. Tinha tanto barro que a gente subia a escada deslizando. As tábuas do camarote estavam todas soltas. Tudo balançando. Mas não imaginávamos que poderia cair”, relatou Ana Flávia.
“Acabou o show de Jorge & Mateus muita gente subiu para o camarote. Estava muito apertado, ninguém conseguia transitar. Quando caiu, ficamos com mais medo ainda com pessoas podendo cair sobre a gente. Minha amiga ainda caiu sobre mim e eu em cima de um moço, que ficou desacordado. Foi horrível. Eu sentia muita dor no pé e ambulância não conseguia chegar próxima ao camarote. Saí carregada pelos bombeiros”, disse.
“Eu só pensava em minha filha. Se eu ficasse internada quem iria cuidar dela”, concluiu Ana Flávia, que foi operada na Santa Casa.