Acidentes acontecem. Na rua, dentro de casa... Estamos todos sujeitos a algum tipo de imprevisto. No entanto, o que aconteceu na noite do último sábado no evento que atraiu cerca de 8 mil pessoas para shows da dupla Jorge & Mateus e DJs, foge do limite de um imprevisto. Pior, o silêncio absoluto de seus organizadores mostra um problema ainda maior.
Realizar este tipo de evento é claramente um risco e uma enorme responsabilidade. É preciso estar atento à diferentes normas, segurança, estrutura, controle de entrada do público e muito mais. Pela simples essência do negócio, a exigência de cuidado com os menores detalhes é clara. Mesmo a chuva que marcou Franca nos últimos dias, que transformou o terreno em um verdadeiro lamaçal, não pode ser usada como explicação. Afinal, qualquer organizador de eventos, que se disponha a realizar algo ao ar livre em pleno dezembro no Brasil tropical obrigatoriamente está ciente de que esta época do ano é marcada por chuvas fortes.
O resultado, no show de sábado, no entanto, foi o pior. Dezenas de jovens se expremiam em um dos camarotes da festa, quando parte da estrutura desabou. Pessoas caíram de uma altura de quase dois metros. Muitos se machucaram. Cerca de 25 precisaram ser socorridos. Não foi o único ponto estrutural que falhou. Perto de meia hora antes, a área dos banheiros do outro camarote montado no evento também cedeu. Não chegou a desabar, mas precisou ser interditado. Apesar do evidente indício de que algo não estava bem, nenhuma outra providência foi tomada e o evento continuou normalmente. Os relatos que vieram em seguida dizem que o espaço estava lotado, provavelmente superloado. Mesmo depois do acidente, enquanto pessoas estavam em macas e sendo levadas por várias ambulâncias, o evento continuou normalmente e só terminou com o raiar do dia, a pedido dos bombeiros.
O problema chamou a atenção das autoridades que se mobilizaram para apurar o que pode ter acontecido. Mas, até o fechamento desta edição, os organizadores não disseram absolutamente nada. Não responderam aos pedidos de contato da reportagem, as páginas de divulgação dos eventos nas redes sociais não possuiem nenhum tipo de explicação, nenhum pedido de desculpas. Nada.
Por sorte, não há registro de nenhuma fatalidade. Os feridos mais graves, que tiveram fraturas expostas, passaram por cirurgias, mas estão se recuperando. Mas as dúvidas ainda permanecem. O que exatamente aconteceu? Quais providências não foram tomadas? Por que os organizadores não interromperam o evento, no mínimo, em respeito aos feridos. Por que não vieram a público explicar exatamente o que aconteceu e quais providências estão tomando? As famílias e as vítimas precisam de respostas.
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