09 de julho de 2026

As reações do presidente


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O que importa não é o que acontece, mas como você reage.” A famosa frase do filósofo grego Epíteto estampa camisetas, canecas, páginas na internet e está sempre presente em qualquer livro ou aula de auto-ajuda. Nesta última sexta-feira, no entanto, em ao menos um caso, há dois pontos a se considerar. Primeiro que o presidente Jair Bolsonaro tem muita dificuldade em reagir quando se vê em situações difíceis. O segundo é que, em alguns casos, o que acontece também importa.

Na última semana, uma operação do Ministério Público teve como alvo o filho primogênito do presidente da república, o deputado estadual do Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro. Em resumo, o parlamentar é acusado de dividir o salário dos funcionários que nomeia para a Assembléia Legislativa, a famosa “rachadinha”.

Quanto as denúncias começaram, Flávio entrou com um pedido judicial de sigilo e conseguiu, junto ao STF, paralizar as investigações contra si. No entanto, nos últimos julgamentos do Tribunal, a situação foi revertida e Flávio se viu, novamente, sob os holofotes. Não demorou para que uma ampla operação fizesse buscas na casa e na empresa dele, uma franquia de uma fábrica de chocolates, em imóveis de assessores e ex-assessores e investigasse sua movimentação financeira.

As atitudes de Flávio ainda precisam ser detalhadamente apuradas e julgadas pelos órgãos competentes, mas o fato de ele mudar de posição, de acusador ferrenho da “corrupção da esquerda” para suspeito, colocou o presidente Jair Bolsonaro em uma situação diferente da que tem se colocado.

 

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Ontem, em uma breve entrevista com jornalista em frente à residência oficial, Bolsonaro atacou a todos: o juiz do caso, a filha do juiz, o governador do Rio de Janeiro, a imprensa... de um modo pouco elegante.

No lugar de dizer, claramente o que pensa do assunto, dar elementos e provas que possam sustentar a inocência do filho ou dizer quais medidas pretente tomar, ele chegou a questionar a sexualidade de um jornalista e, mais de uma vez, ordenou que outros colegas dele ficassem em silêncio.

Os rompantes do presidente já se tornaram rotina para quem o acompanha, mas há sinais claros de que o suporte a esses rompantes tem diminuído a cada dia. Pesquisa de satisfação divulgada ainda ontem, pelo Ibope, mostra que a imagem do presidente sofre diariamente. Segundo a pesquisa, o índice de confiança no presidente é de 41%, enquanto 56% afirmam não confiar nele. 53% dos brasileiros desaprovam seu jeito de governar, número 23 pontos maior que no começo de janeiro.

Estar na mira de uma investigação, ou ter um parente próximo, certamente não é agradável, mas está passando o tempo de o presidente medir melhor suas ações e, principalmente, suas reações.


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