09 de julho de 2026
VIOLÊNCIA

Goleiro Jean agride mulher, é preso nos EUA e tem contrato rescindido


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Mulher divulgou as agressões

 O goleiro Jean, do São Paulo, foi preso na manhã desta quarta-feira em um hotel em Orlando, nos EUA. Acusado pela mulher, Milena Bemfica, de tê-la agredido durante uma discussão, o jogador de 24 anos foi capturado pelo Escritório Policial do Condado de Orange, na Flórida. Milena estava com o rosto inchado e com hematomas abaixo dos olhos. O atleta ficou com um ferimento na testa e um corte na perna.

O São Paulo acompanha o caso, mas o caminho é de rescisão do contrato do goleiro, que vai até 2022. Na ficha de prisão, publicada no site do Departamento de Correções do Condado de Orange, consta que Jean foi preso às 7h27 no horário local (9h27 de Brasília). O motivo foi violência doméstica. O jogador, com a mulher e as duas filhas, passava férias nos EUA após o fim da temporada do futebol no Brasil.

O caso de agressão se tornou público quando Milena publicou vídeos nas redes sociais na manhã desta quarta-feira. A mulher do jogador denunciou o marido por agressão e mostrava nas imagens seu rosto inchado e com hematomas. "Eu estou aqui em Orlando e olha o que o Jean acabou de fazer comigo. Jean acabou de me bater. Gente, socorro! Olha para isso, gente. Jean, goleiro do São Paulo, olha o que ele fez comigo. Eu quero justiça, eu quero justiça!", disse Milena.

Logo após a denúncia, Milena apagou o vídeo e gravou um outro, em que diz estar em local seguro e na companhia das duas filhas. Em uma das postagens, a mulher do jogador do São Paulo divulgou a captura da tela de celular de conversas que teve com o marido após as acusações. No diálogo, Jean faz uma ameaça a ela. "Parabéns. Terminou com a minha carreira. E suas filhas vão passar fome", escreveu o goleiro.

Jean pode ir a julgamento nos EUA ou no Brasil. Para ele responder a um processo fora do País, Milena precisa fazer queixa formal mesmo após ter divulgado o vídeo em que relata as agressões. Ela tem três dias para isso. No Brasil, a situação é diferente. Por se tratar de violência doméstica, considerada uma ação pública incondicionada, o Ministério Público apresenta a denúncia mesmo que a vítima não demonstre interesse.

Em contato com o Estado, a advogada Larissa Salvador, que atua nos EUA pelo escritório Marcelo Leal Advogados, explicou o que pode ocorrer com Jean de agora em diante. "Ele pode pegar pena de um ano de prisão, 12 meses em liberdade condicional e multa de US$ 1 mil (pouco mais de R$ 4 mil). Jean pode ainda ficar em liberdade, mas provavelmente com o passaporte retido nos EUA", explicou.

Se o caso não for levado adiante na Flórida, o jogador responderá a processo no Brasil. É o que explica João Paulo Martinelli, advogado criminalista e professor de direito penal da pós-graduação da Escola de Direito do Brasil. "Ou há o processo lá ou há aqui, porque ninguém pode ser processado duas vezes pelo mesmo fato. Para responder de acordo com a lei brasileira, é importante saber pelo laudo o grau da lesão. Há três graus. O leve, com pena de três meses a um ano; grave, com pena de um a cinco anos; e gravíssimo, com pena de dois a oito anos. Como é aplicada a Lei Maria da Penha, pode haver algumas outras ações, como restrição em chegar perto da vítima e pagamento de pensão."

Segundo o Boletim de Ocorrência, Jean agrediu Milena com oito socos e foi algemado pelo xerife do Condado de Orange por "não estar colaborando". Além disso, o documento também relata que a mulher se defendeu com uma chapinha de cabelo e feriu o goleiro com o objeto, em ato de legítima defesa.