10 de julho de 2026
MAIS CARO

Preço da carne dobra em Franca e faz bife ter preço de picanha


| Tempo de leitura: 3 min
Preços das carnes estão até 110% mais caros nos açougues e supermercados de Franca: aumento foi motivado pela aumento das exportações para a China

Virou rotina nas últimas semanas os consumidores brasileiros se depararem com o aumento no preço da carne sempre que vão até um açougue ou supermercado. A situação não é diferente em Franca, onde o quilo da carne bovina teve aumento de, em média, 40%. Os clientes já sentem no bolso as consequências da valorização do produto. O principal motivo da elevação nos preços está relacionado às exportações para a China, que cresceram no mês de novembro e fizeram o preço da carne aumentar nos frigoríficos.

Dados do Cepea-USP (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo) mostram que o valor médio do boi gordo subiu 35,5% somente durante o mês de novembro.

Em março, o Instituto de Economia Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) aferiu os preços dos cortes de carne na cidade. Apesar de não existir um levantamento atualizado, em comparação com os valores verificados pela reportagem na última semana, durante visitas realizadas em unidades das quatro principais redes de supermercados e varejões da cidade, o aumento chega a 110%.

A mudança nos valores atingem desde os cortes de primeira até os de segunda: no caso do filé mignon, o quilo que antes custava R$ 31,62 nesta semana chegava a R$ 66,60 em alguns estabelecimentos; o preço do contra filé saltou de R$ 30,58 para R$ 45,90; o patinho subiu de R$ 21,93 para R$ 33,90; acém de R$ 16,47 para R$ 22,90; e o coxão mole de R$ 21,63 para R$ 35,50.

Sócio-proprietário de um açougue localizado na Estação, Manoel Messias Carreira afirmou que em alguns frigoríficos chega a faltar alguns cortes de carnes. “Em 30 anos nunca vi uma alta tão grande e rápida. Todo dia há reajuste e em alguns frigoríficos já aconteceu de não ter todas as carnes disponíveis. Tentamos segurar ao máximo, mas é impossível não repassar o aumento que, em algumas peças, chegou a 70%”, disse.

A arroba da carne de boi, que antes tinha preço médio de R$ 150, passou a custar R$ 240, segundo o comerciante.

Para fugir dos altos preços, parte dos consumidores está optando por frango e também pela carne suína. “Os clientes partem para outras opções, mas o aumento na procura também provoca o aumento destes produtos, já que é a lei da oferta e procura. E, infelizmente, as perspectivas para os próximos meses não são as mais promissoras quanto ao valor da carne”, completou Carreira.

“As vendas já caíram cerca de 25%, já que o preço está mais alto e é normal os consumidores buscarem outras alternativas. Antes quem comprava um quilo, hoje compra meio; quem comprava três, compra dois. Baixamos a margem (de lucro) que trabalhamos para não repassar todo o reajuste e perder clientes”, disse Wesley José Berdú, sócio proprietário de um açougue na Vila Imperador.

MENOS CARNE NO CARRINHO

Com três filhos em casa, a auxiliar administrativo Débora Silva, 33, está acostumada a ter a carne presente em todas as refeições da família. Porém, nas últimas semanas, ela admite ter buscado outras alternativas para substituir o alimento que está em mais caro. “O prato preferido dos meus filhos é o bife com batata frita, só que o preço do contra filé está o dobro e tivemos que optar por outras misturas. Agora o frango e peixe marcam presença nas nossas refeições.”

Acostumado a ir até o supermercado ao menos duas vezes por semana em busca das promoções, o mecânico Rogério Alves Araújo têm optado por carne suína e o frango para substituir a carne nas refeições de casa. “Não tem como parar de comprar, mas é possível diminuir a quantidade e é a melhor alternativa. Compro ainda carne de frango e suína. É o jeito”, disse.