08 de julho de 2026

O cidadão que transforma


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Com a popularização das redes sociais, a participação da sociedade na política tem se tornado rotina. Qualquer decisão dos governantes é facilmente debatida e fiscalizada pelos cidadãos. Só em Franca, a Udecif (União da Defesa da Cidadania de Franca) e o Observatório Social são exemplos de iniciativas que têm uma participação efetiva na discussão das decisões da administração. Mas, nos últimos dias, alguns francanos têm provado que é possível levar a participação popular a um outro nível.

No final de outubro, cerca de dez jovens do Jardim Roselândia partiram para a ação. Com o apoio de alguns patrocinadores e moradores do local, os garotos pintaram o chão e arrumaram o alambrado da quadra do bairro. A quadra, que é utilizada quase todos os dias, estava sem receber manutenção da Prefeitura havia12 anos.

Nesta semana a cidade ganhará uma novíssima Delegacia de Defesa da Mulher. A DDM existe em Franca, segundo a prefeitura, desde 1988, mas a nova estrutura que deve ser inaugurada na próxima terça-feira é de fazer inveja. O lugar vai muito além de uma referência para mulheres procurarem quando sofrerem algum tipo de violência: pretende ser, efetivamente, um ponto final na própria violência ou, ao menos, uma possibilidade para isso. Sete salas, acessibilidade para pessoas com deficiência, atendimento psicológico para a vítima e para o agressor e até um espaço para cursos profissionalizantes. Tudo só foi possível por conta do apoio fundamental do grupo Mulheres do Brasil, liderado pela empresária Luiza Helena Trajano.

Luiza Helena é conhecida por ser uma mulher de ação e, desta vez, gerou uma mobilização que pode, de fato, transformar a vida de centenas de famílias que são vítimas da violência em Franca. Afinal, só de janeiro a setembro, a DDM - ainda por meses improvisada no prédio da delegacia seccional - realizou 2.286 atendimentos. Mais que agradecimentos, é uma ação que exige reconhecimento. E não é a única.

O grupo Mulheres do Brasil tem sido atuante em diferentes áreas, do fortalecimento de jovens profissionais negras, a ações junto a entidades assistenciais e até no plantio de árvores pela cidade. Áreas em que o poder público é extremamente ausente.

Não se trata de agir sem cuidado com as limitações que o convívio social e a própria legislação impõem. Havendo equilíbrio para que áreas públicas e comuns não se tornem irregularmente propriedades privadas, nem mesmo recebam obras sem autorização municipal, a parceria entre o cidadão e o governo para melhorar o bem comum deveria ser acolhida e incentivada, sempre.

Afinal, são ações que, diante de uma política tão envolta na agressividade da polarização, servem de respiro e inspiração. Seja um grupo de jovens em um bairro da cidade ou entidades maiores, fato é que muitas vezes apenas cobrar o poder público é pouco. É possível arregaçar as mangas e fazer mais. No caso da empresária Luiza Helena Trajano, das participantes do grupo Mulheres do Brasil e dos jovens do jardim Roselândia, muito mais.

 

 

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