09 de julho de 2026

O ministro ignorante


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Abraham Weintraub, que  escreve mal e pensa pior, deve deixar o cargo tendo inscrito seu nome como o mais grosseiro e obtuso ministro de uma pasta de importância vital para o Brasil 

 

Um ministro, sobretudo o da Educação, deveria, a priori, usar corretamente a língua de seu país, seja na forma oral, seja na escrita. Afinal, sempre se diz e com redobradas razões, que o exemplo arrasta. Quando uma autoridade se expressa de forma equivocada e comete erros crassos, o que pensar dela? Paulo Francis, o jornalista brilhante e combativo, dizia que começamos a conhecer uma pessoa quando ela começa a falar. Imagine-se o que pensaria do atual ocupante da pasta que deveria ser a mais importante do governo.

Desde que substituiu Vélez, outro trapalhão, Abraham Weintraub tem demonstrado conhecimento sofrível do idioma, acumulando quantidade enorme de erros tanto nas suas postagens nas redes sociais como nos discursos, ofícios e até despachos burocráticos. São erros de ortografia - como “insitar”, com a letra s, e “paralizar”, com a letra z. De concordância - como o uso do verbo haver no plural em contextos onde ele assume o sentido de existir. De ausência de hífen em compostos do tipo má fé, bem vindo, pós graduação. No uso da crase. Além de exibir vocabulário diminuto, o que já o levou a confundir acepipes com asseclas, ele revela ignorância sobre autores clássicos conhecidos dos leigos. Dessa forma, citou há pouco tempo “cafta”, especialidade de comida árabe, quando, naturalmente, queria dizer “Kafka”, escritor de língua alemã, autor de romances e contos, considerado pelos críticos como um dos escritores mais influentes do século XX, e para quem a melhor palavra para definir a vida seria “absurdo”. E é ela que tem ocorrido a muitos brasileiros que, equidistantes de polarizações burras, consideram a atual gestão do ministro uma sucessão de imbecilidades.

A última aconteceu na semana que se finda. Weintraub se envolveu em mais uma polêmica nas redes sociais ao trocar insultos com uma seguidora de sua conta do Twitter. Contestando a fala agressiva e autoritária do ministro, que denegria o marechal Deodoro da Fonseca e a própria República proclamada, a usuária disse que, caso o Brasil voltasse a ser uma monarquia, o ministro seria o “bobo da corte”. Em resposta , Weintraub escreveu: “Uma pena, prefiro cuidar dos estábulos, ficaria mais perto da égua sarnenta e desdentada da sua mãe”.

É inacreditável que um ministro, de uma área que se acredita mais que outras vinculada às humanidades, tenha proferido tal frase. Ela não só revela seu grau ínfimo de civilidade como sua total desconsideração pela democracia, que pressupõe vozes múltiplas e opiniões diversas sobre um mesmo assunto.

Sobre o precário estado da educação pública no país, a necessidade de rever os currículos dos cursos de formação, a urgência da criação de cursos técnicos que formem jovens para as novas profissões, nada é dito. A boa notícia a respeito é que o presidente Bolsonaro, segundo fontes do Planalto, já estaria escolhendo novo nome para substituir Weintraub até o final do ano. Assim seja.

 

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