08 de julho de 2026

A história pode se repetir


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O PSL (Partido Social Liberal), do Presidente Jair Bolsonaro, que obteve expressivo resultado nas eleições de 2018, dá claros sinais de implosão, antes mesmo de completar o primeiro ano de governo. Aliás, episódio semelhante ocorreu no início da década de 90, com o PRN (Partido da Reconstrução Nacional) do ex-presidente cassado Fernando Collor de Mello.

Tais fatos são mais comuns em partidos com grande viés fisiológico, que acabam aglutinando pessoas de diversas orientações partidárias e ideológicas, muito mais preocupadas com o sucesso nas eleições ao invés da adoção de um projeto sólido de reconstrução nacional.

O interessante é que esses desmoronamentos tão precoces são mais comuns em partidos com viés de direita, contrariando antigo estigma de que “a esquerda só se une na cadeia”. Sim, pois se tomarmos como exemplo o próprio PT (Partido dos Trabalhadores), vamos constatar que ele ainda sobrevive e se mantém relevante na política brasileira, não obstante ter enfrentado várias crises e deserções de muitos expoentes, ocorridas neste período de quase quarenta anos de existência (o PT foi fundado em fevereiro de 1980, no Colégio Sion, em São Paulo, por sindicalistas e intelectuais de esquerda).

A busca de algumas lideranças do PSL, ligadas ou não ao Presidente Bolsonaro, pelo comando do Diretório Nacional do Partido, vem ganhando nos últimos dias capítulos de quase pugilato, tudo apimentado pelos filhos do Presidente, que com seus egos inflados não medem esforços para assumir o comando da sigla, aproveitando-se do prestígio do pai e da própria fragmentação da instituição. Parece que para os “Príncipes do Presidente”, quanto pior a situação do partido, melhor para eles.

A falta de sustentação partidária, sobretudo nas duas casas legislativas, foi a causa maior do esboroamento do governo Collor e a do seu impeachment. Com esse cenário atual muito parecido, é melhor o Presidente se acautelar o mais rapidamente possível, para que não venha a se repetir com ele o que ocorreu com Collor. No entanto, só o tempo, que é o senhor da razão, é que definirá os rumos do governo Bolsonaro.