08 de julho de 2026
VÍTIMA

Casamento e vidas de Guislene e Fabrício terminaram em tragédia


| Tempo de leitura: 4 min
Guislene Aparecida Ferreira foi morta por Fabrício Fabiano Matias

Um mês após o término de um relacionamento que durou 13 anos, Guislene Aparecida Ferreira, 39, foi mais uma mulher a entrar para as estatísticas de vítimas de feminicídio. O crime aconteceu na última segunda-feira, 21, quando ela seguia de carro para o trabalho e foi surpreendida pelo seu ex-companheiro, Fabrício Fabiano Matias, de 38 anos. O homem entrou no carro e atingiu a mulher com um golpe de faca no pescoço. Guislene foi atendida pelo Samu, não resistiu aos ferimentos e morreu no local.

Segundo o irmão da vítima, Gilberto Ferreira, a mulher trabalhava como revisora de pesponto. Além disso, gostava muito de viajar e comprar roupas. “Ela era muito vaidosa.”

O irmão conta ainda que o relacionamento era muito tranquilo e que as brigas não eram comuns. No entanto, Fabrício afirmava estar junto apenas pela casa. Declarações essas que motivaram a separação. “O relacionamento acabou, porque ele disse pra ela que já não gostava dela e que estava apenas por conta da casa.”

No entanto, Fabrício não aceitou o fim do relacionamento. Ele foi até a residência da mãe de Guislene e fez ameaças à ex-mulher. “Há uns 15 dias (antes do crime), ele foi até a casa da minha mãe para tentar reatar com ela. Ela disse que não queria e ele se revoltou. Eu tive até que entrar no meio para poder separar. Ele falou que ia matar ela e quem tivesse com ela, que daria um fim na vida dela”, conta Gilberto.

SUICÍDIO

Na terça-feira, 22, um dia após o crime, Fabrício foi encontrado morto em sua residência no Jardim Palmeiras. Ele estava pendurado por fios de construção.

O homem foi encontrado pelo vizinho Adenilton Toledo Pereira, que desconfiou do barulho que os animais estavam fazendo e resolveu olhar por cima do muro. Logo se deparou com o corpo de Fabrício. “Eu estava preocupado com os cachorros e subi no muro para ver o que estava acontecendo. Vi ele lá, pendurado, amarrado com alguns fios. Eu levei um susto.” Segundo o vizinho, a convivência com Fabrício era tranquila. “Nós tínhamos muita convivência, ele era muito educado, trabalhador. Não esperava isso.”

 ‘Eu tentei mais não consegui (sic)’, disse Fabrício em carta

Os familiares de Guislene, no mesmo dia do crime, divulgaram uma carta enviada por Fabrício a ex-mulher, na sexta-feira, 18. Nela o homem desejou parabéns e sucesso para Guislene. A mulher fez aniversário um dia após, no sábado, 19.

“Em consideração ao nosso tempo vivido venho por aqui te desejar um feliz aniversário. Muitos anos de vida que você possa realizar todos os seus sonhos e desejos. (...) Parabéns, sucesso e muita paz. Fabrício”, diz a carta.

Na terça-feira, 22, quando Fabrício teve seu corpo encontrado, uma carta também foi localizada. Nela, o rapaz explica o motivo que o levou a cometer o crime e também a se matar: “Eu não queria k fosse assim mais não teve outro jeito a não ser esse. Peço k me perdoe e que vcs me entenda pois estava passando por um momento difícil em minha vida peço desculpa a todos vcis pelo que aconteceu pois já não estava aguentando mais ficar sem ela e outra não ia suportar ver ela com outro. Sei que não devia mais aconteceu. E outra pessoa que quero pedir desculpa é pra vcê Necão. Vc foi um pai pra mim. Não queria que fosse assim. Eu tentei mais não consegui. Fique só com as lembranças boa de mim. Obrigado por ser esse cara especial. Infelizmente eu não consegui.

Desculpe a todos da família e amigos. Everton Tamo junto

Os dois sonhos que eu queria eu já realizei...

Fabrício (sic)” 

Ao menos 3 mulheres são agredidas por dia em Franca

De acordo com a DDM (Delegacia da Defesa da Mulher), somente no mês de outubro, foram registrados 87 casos que entram na Lei Maria da Penha. Desses 75 são de ameaça e lesão corporal. Um dos fatores que dificulta o trabalho da polícia é quando a mulher desiste de dar procedimento à denúncia, mesmo sabendo que o inquérito será instaurado.

Segundo uma das presidentes da Comissão de Combate a Violência Contra as Mulheres, Ana Beatriz Junqueira, “o principal motivo para mulher não denunciar o relacionamento abusivo ou retomar o relacionamento, são os filhos. Já que a mulher acredita que os filhos precisam de uma relação familiar completa. Outro motivo é a dependência financeira. Além disso, a mulher fica com medo das ameaças que o marido pode fazer após o término.”De acordo com a DDM (Delegacia da Defesa da Mulher), somente no mês de outubro, foram registrados 87 casos que entram na Lei Maria da Penha. Desses 75 são de ameaça e lesão corporal. Um dos fatores que dificulta o trabalho da polícia é quando a mulher desiste de dar procedimento à denúncia, mesmo sabendo que o inquérito será instaurado.