Os casos são diferentes em essência, mas há um fator importante que os une: a violência contra as mulheres e a instabilidade e violência dos homens diante da separação
Na última semana casos de violência assustadores deixaram muitos francanos em choque. No primeiro, Guislene Aparecida Ferreira foi morta pelo ex-marido a caminho do trabalho. Pouco depois, ele também foi encontrado morto, após terminar com a própria vida. Na madrugada anterior, Luci Mary Resende viveu momentos de pânico. Depois de tentar se separar do ex-marido, se refigiou na casa dos pais. No entanto, ele foi até ela e, impedido de entrar na residência, disparou 16 tiros contra o imóvel. Tudo foi registrado pela filha adolescente de Luci que, ao mesmo tempo, tentava ligar para a polícia pedindo socorro.
Nos dois casos, os relacionamentos não foram breves. São casamentos que duraram mais de uma década. A tragédia que Fabrício Mathias provocou, por exemplo, causou espanto em muitas pessoas. O irmão de Guislene disse à reportagem do Comércio que as brigas do casal não eram comuns e que era o póprio Fabrício quem dizia que apenas a casa que eles possuíam mantinha o relacionamento. Para o vizinho que conversou com a reportagem, a memória que ele guarda do rapaz é de uma pessoa calma, que seria, em tese, incapaz de provocar uma tragédia como essa. Nas cartas que escreveu para Guislene, Fabrício também demonstra afeto com a vítima e chega a pedir desculpas. Mas nada disso o impediu de atacar com uma faca a pessoa com quem conviveu por anos, tirando a vida dela.
Luci Mari Resente tem uma história diferente, mas não menos impactante. A violência de seu ex-marido não chegou a provocar mortes, mas o medo na vida dela é constane. O advogado Janio Jassem Cordeiro Lima já havia demonstrado seu lado violento outras vezes, com agressões físicas e brigas públicas. Mas, como outros muitos casos semelhantes, ela teve muita dificuldade para se desvencilhar da situação. Na última semana, hospedada na casa dos pais após a separação, assistia TV com a família na sala, quando seu ex-marido surgiu, agressivo. Impedido de entrar na casa, começou a atirar contra o imóvel. Um dos tiros atingiu o sofá, onde a família estava reunida instantes antes. A polícia foi acionada, Janio fugiu em um primeiro momento, mas foi preso em seguida, o que impediu um mal maior. Mas os dias de Luci, agora, são de puro medo.
Os dois casos são diferentes em essência, mas há um fator importante que os une: a violência contra as mulheres e a instabilidade e violência dos homens diante da separação. Só este mês, 87 casos na DDM foram registrados dentro da Lei Maria da Penha. É mais que casos de polícia ou segurança, são casos de saúde pública, que exigem uma reflexão profunda sobre os fatores que têm levado um rompimento à qual qualquer casal está sugeito a tragédias que tem tirado vidas e destruído famílias inteiras.
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