08 de julho de 2026

O francano e seu trânsito


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Os próprios francanos são acostumados a fazer piadas sobre o transito da cidade. A falta do uso da seta, assim como o desrespeito aos demais motoristas, se tornaram prática comum nas ruas da cidade. O problema é que a piada tem virado assunto muito sério.

As mortes nas ruas e avenidas da cidade assustam. Matéria do Comércio da última semana revela que 216 pessoas perderam as suas vidas em acidentes nos últimos quatro anos. Destas, 29 foram sepultadas por seus familiares apenas neste ano.

Por muito tempo se questionou na cidade uma “indústria das multas”. A Prefeitura Municipal gasta milhares de reais, que poderiam ir para áreas como saúde e educação, em lombofaixas, sinalização, fiscalização e em engenharias de trânsito para diminuir os acidentes e aumentar a segurança das vias. Mas um único fator, sozinho, poderia resolver tudo isso: o cidadão.

A quantidade de infrações de trânsito é absurda. Motoristas que não respeitam a sinalização, abusam da velocidade, do álcool ao volante, usam o celular enquanto dirigem; Motociclistas costurando pelas avenidas, transitando muito acima da velocidade permitida e colocando a própria vida em risco são cenas comuns, assim como pedestres que não respeitam a faixa, pulam cercas de proteção ou andam completamente desatentos, também.

Na última semana, o Comércio também revelou que 8,6 mil motoristas foram multados por excesso de velocidade pela Polícia Militar. “As ocorrências com vítimas fatais estão, diretamente, relacionadas com o excesso de velocidade”, afirmou, em entrevista, Régis Antônio Mendes, comandante do Pelotão de Trânsito da PM.

A equipe de reportagem do jornal também foi a campo acompanhar o trabalho dos policiais. A surpresa não poderia ter sido menor: em apenas uma hora, 46 infrações flagradas diante da polícia e das lentes dos repórteres (leia mais à página 10A).

Falar em prevenção e investir em ações que aumentem a segurança no trânsito são ações importantes, mas se os próprios francanos não adotarem uma nova postura, imediatamente, nada será suficiente. “Não conseguimos estar em todos os lugares, mesmo intensificando nosso trabalho. Se as pessoas começarem a respeitar as normas de trânsito (..) isso refletirá”, disse o tenente Régis Mendes.

Culpar a “indústria da multa”, nos dias de hoje parece muito mais da hipocrisia que fato concreto. Cada francano tem o poder de mudar essa realidade. Basta entrar no carro, subir na moto ou andar nas vias da cidade sabendo que cada um é responsável pela o trânsito, assim como pela vida das pessoas que transitam por ela.

 

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