Não aprovo a postura de alguns derrotistas que vivem depreciando o nosso país. Tenho um amigo assim e que costuma dizer, em tom jocoso, que “se cobrir o Brasil, ele vira circo, e se cercá-lo, vira hospício”. Dois episódios recentes indicam que o meu amigo tem alguma razão no que diz, não obstante eu ser um apreciador da arte circense e ainda reconhecer a importância dos hospitais psiquiátricos para o tratamento de doenças mentais.
O primeiro fato trata da entrevista dada pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, ao Jornal Folha de São Paulo, confessando que em 2017, num momento de dor aguda e ira cega, foi armado com uma pistola à sede do Supremo Tribunal Federal com o propósito de assassinar o Ministro Gilmar Mendes e, em seguida, cometer suicídio.
O motivo da sua fúria teria sido o fato de o Ministro Gilmar Mendes ter lançado suspeitas sobre a atuação da sua filha, Letícia Ladeira Monteiro de Barros - que é advogada e nessa condição prestou serviços à empreiteira OAS, investigada na operação Lava Jato, em processo junto ao CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
Efetivamente é inimaginável que em um outro país democrático e civilizado do mundo, o ocupante do mais alto cargo da careira do Ministério Público tenha cogitado matar um ministro da mais alta Corte de Justiça, por meras insinuações que, ao que se sabe, nem públicas foram, segundo apurou o Jornal Nacional, da TV Globo.
O outro fato que, a meu ver, também merece uma reflexão profunda, foi a da recusa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de progredir, por direito, do regime fechado para o semiaberto.
Sabe-se que todo condenado aguarda com ansiedade o tempo necessário para a progressão do regime de cumprimento da pena. Por outro lado, a justificativa de Lula de que “não troca a sua dignidade pela liberdade” também não se apresenta racional, além de ferir a lei e a lógica jurídica, pois exercer um direito conferido em lei, nunca poderá ser interpretado, por quem quer que seja, como ofensa à dignidade.
Efetivamente, fatos sui-generis como esses, ao que parece, só ocorrem mesmo no nosso Brasil varonil. “Durma-se com um barulho desses”!