08 de julho de 2026

Infâncias violadas


| Tempo de leitura: 5 min

O número de homicídios protagonizados por crianças expõe a fragilidade do nosso País no que diz respeito a políticas de amparo à infância e de desenvolvimento de uma educação plena 

 

Não data do governo Bolsonaro a inércia em relação a uma educação pública que garanta às crianças brasileiras, principalmente às pobres, que têm a periferia como espaço restrito e impeditivo, uma vida digna, os direitos que a Constituição, na sua letra morta, garante. Faz tempo que os governos se esqueceram das crianças, apesar de destinar parte expressiva do PIB a essa área vital: proporcionalmente, gastamos com educação tento quanto Estônia e Noruega. Mas os recursos são mal administrados; a corrupção, durante anos, desviou o olhar das autoridades das questões básicas; empacamos e não conseguimos avançar.

Mas é certo que desde que Bolsonaro tomou posse, a área da educação tem sido mobilizada para retaliações a quem o governo acredita estar em campo contrário ao seu, de forma que as medidas tomadas são todas de apequenamento do processo de expandir a educação aos que dela precisam de forma absoluta- as crianças que estão crescendo ao Deus-dará e se transformando em marginais- no sentido próprio e emblemático do termo. No frigir dos ovos são também vítimas do sistema, da impunidade, da falta de planejamento familiar, do descuido amplo e inaceitável para com aqueles que não herdarão o futuro, porque sepultados nos cemitérios ou nas celas das cadeias brasileiras.

Em nossa cidade e região, nos últimos dias, dois casos chamaram a atenção, pelo fato de os protagonistas serem menores de 15 e 16 anos. Um deles matou o companheiro da mãe a facadas, depois de assistir a uma cena de violência dentro da cozinha de sua casa precária: ao ver entre tantas outras agressões, o parceiro da mãe, embriagado, jogar ao chão pela segunda vez toda a comida que a mulher havia preparado, o esfaqueou até a morte, depois de brigarem. Foi recolhido à Fundação Casa.

O outro, abandonado pela mãe, foi criado pelo pai, deficiente visual. Viciado em drogas pesadas, entrou em surto e num entrevero com a polícia foi abatido a tiros. De posse de um podão, ele tentava agredir qualquer pessoa que dele se aproximasse. Foi enterrado no dia seguinte, sob lágrimas e desabafo comovente do pai - que havia, dias antes, sido agredido pelo próprio filho.

O terceiro caso beira o macabro e teve por cenário uma festa comunitária da periferia de São Paulo. Uma menina de nove anos, com problemas de aprendizagem, foi levada por seu vizinho de doze para brincar num bosque próximo. Uma câmera os flagrou saindo de mãos dadas da festa, numa cena que impacta pela aparente inocência. Três horas depois, o corpo da garotinha foi encontrado sem vida, com ferimentos cortantes e sinais de asfixia. Estava amarrado a uma árvore. O menino confessou o crime e fez chorar o experiente delegado que o ouviu. Assim, com essas imagens perturbadoras, vamos entrar no Brasil na Semana da Criança.

 

Não data do governo Bolsonaro a inércia em relação a uma educação pública que garanta às crianças brasileiras, principalmente às  pobres, que têm a periferia como espaço restrito e impeditivo, uma vida digna, os direitos que a Constituição, na sua letra morta, garante. Faz tempo que os governos se esqueceram das crianças, apesar de destinar parte expressiva do PIB a essa área vital: proporcionalmente, gastamos com educação tento quanto Estônia e Noruega. Mas os recursos são mal administrados; a corrupção, durante anos, desviou o olhar das autoridades das questões básicas; empacamos e não conseguimos avançar. 
Mas é  certo que desde que Bolsonaro tomou posse, a área da educação tem sido mobilizada para  retaliações a quem o governo acredita estar em campo contrário ao seu, de forma que as medidas tomadas são todas de apequenamento do processo de expandir a educação aos que dela precisam de forma absoluta- as crianças que estão crescendo ao Deus-dará e se transformando em marginais- no sentido próprio e emblemático do termo. No frigir dos ovos são também vítimas do sistema, da impunidade, da falta de planejamento familiar, do descuido amplo e inaceitável para com aqueles que não herdarão o futuro, porque sepultados nos cemitérios ou nas celas das cadeias brasileiras. 
Em nossa cidade e região, nos últimos dias, dois casos chamaram a atenção, pelo fato de os  protagonistas  serem menores de 15 e 16 anos. Um deles matou o companheiro da mãe a facadas, depois de assistir a uma cena de violência dentro da cozinha de sua casa precária: ao ver entre tantas outras agressões, o parceiro da mãe, embriagado, jogar ao chão pela segunda vez toda a comida que a mulher havia preparado, o esfaqueou até a morte, depois de brigarem. Foi recolhido à Fundação Casa. 
O outro, abandonado pela mãe, foi criado pelo pai, deficiente visual. Viciado em drogas pesadas, entrou em surto e num entrevero com a polícia foi abatido a tiros. De posse de um podão, ele tentava agredir qualquer pessoa que dele se aproximasse. Foi enterrado no dia seguinte, sob  lágrimas e desabafo comovente do pai - que havia, dias antes, sido agredido pelo próprio filho.

O terceiro caso beira o macabro e teve por cenário uma festa comunitária da periferia de São Paulo.  Uma menina de nove anos, com problemas de aprendizagem, foi levada por seu vizinho de doze para brincar num bosque próximo. Uma câmera os flagrou saindo de mãos dadas da festa,  numa cena que impacta pela aparente inocência. Três horas depois, o corpo da garotinha foi encontrado sem vida, com ferimentos cortantes e sinais de asfixia. Estava amarrado a uma árvore. O menino confessou o crime e fez chorar o experiente delegado que o ouviu. Assim, com essas imagens  perturbadoras, vamos entrar no Brasil na Semana da Criança. 

 

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