O filme a ser lançado em Franca nesta semana, com venda antecipada a partir do dia 2, assusta, instiga e mostra Joaquin Phoenix irretocável no papel do protagonista perturbado da fragmentada Ghotam City
Um dos maiores vilões das histórias em quadrinhos, o Coringa chega às telas nesta quinta, com tudo para agradar a quem curte o gênero. No filme de Todd Phillips, ele exibe uma identidade mais definida graças ao desempenho magnífico de Joaquin Phoenix. Resumo da história: Arthur Fleck (Coringa) trabalha como palhaço para uma agência de publicidade e toda semana precisa comparecer perante a assistente social, que o avalia em temos de sanidade, já que apresenta recorrentes problemas mentais. Após ser demitido, Fleck reage mal à gozação de três homens no metrô e os mata. Isso faz eclodir um movimento do povo contra a elite de Gotham City, da qual Thomas Wayne (Brett Cullen) é seu maior representante.
Os fatos se passam entre o final dos anos 70 e o início dos 80. O diretor queria evitar qualquer tipo de conexão com outros heróis e, por isso, não faz referências ao universo de Batman. Além de Gotham City e da Família Wayne, não há outra menção ao mundo da DC Comics.
O enredo foca somente no protagonista, dos tipos mais interessantes da história dos quadrinhos. Sobre o Coringa, é bom lembrar que já houve uma versão adulta com Heath Leadger e outra infantil com Cesar Romero. Cada ator que encarnou o papel conseguiu criar um perfil singular. Joaquin Phoenix não é exceção. Ele constrói um personagem instável, louco e macabro. Ou seja, assustador à beça, especialmente se associarmos a esses traços a risada que é sua característica marcante.
Logo no início do filme ele explica que tem um problema psicológico que o faz rir em momentos inapropriados. Esse problema existe na vida real e a medicina o chama de afeto pseudobulbar. Sobre as risadas estranhas de Coringa, há muito a analisar. Porque cada uma esconde um motivo e frisa estados de espírito específicos, podendo sugerir sedução, agrado, ironia, ódio, nervosismo, deboche, raiva, medo...
Phoenix faz algo espetacular ao encarnar o Coringa, usando como suporte seu corpo, sob medida para papel tão intenso, numa história pontuada pela loucura - um recurso que alcança resultado admirável: nada é exatamente o que parece.
Esqueça pois o Coringa das aventuras anteriores. Com grandes atuações, ótima fotografia e história que merece ser vista mais de uma vez, o filme tem tudo para agradar aos que já viram o vilão em ação. E para os que vão vê-lo pela primeira vez.