08 de julho de 2026

Incoerência e desdobramentos


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Na política, a semana que hoje termina foi semelhante à temperatura enfrentada pelos brasileiros nesse tórrido final de inverno. Ela foi quente, demasiadamente quente nas redes sociais, espaço caro ao presidente da República. Os comentários dos internautas estiveram focados em Flávio Bolsonaro, o filho, ‘e suas tentativas de abafar a criação da CPI da Lava Toga, proposta para investigar ministros do STF e iniciativas da Corte.

Essa reação que parece ter tomado a todos de surpresa, expõe a contradição essencial do momento: eleito com base num discurso que surfou no combate à corrupção que a Lava Jato expôs de forma incontestável, uma vez no poder Bolsonaro passou a agir para proteger o filho, engolfado no escândalo da movimentação financeira do assessor Fabrício Queiroz, considerada atípica pelo Ministério Público.

A decisão do ministro Dias Toffoli, sustando a investigação sobre Queiroz com base em relatório do Coaf , que hoje já tem até outro nome, aproximou Bolsonaro desta ala do STF. E fez com que o filho passasse a agir abertamente para impedir a CPI – antes bandeira dos bolsonaristas, usada para convocar manifestações. É obvio que tamanha incoerência teria desdobramentos.

Primeiro foi a senadora Juíza Selma, que anunciou sua saída do PSL, a caminho do Podemos, e justificou a decisão como reação à atuação direta de Flávio para abafar a CPI da Lava Toga. O líder do partido no Senado, Major Olímpio, em fala enérgica replicada por várias mídias a partir de uma entrevista ao Estadão, afirmou que quem deveria deixar o partido era Flávio, e não Selma. Na sequência, o youtuber Nando Moura deferiu fortes ataques a Bolsonaro e filhos. Foi seguido por outros, mas contestado também.

Eduardo Bolsonaro, diante dessas cizânias, não agiu “diplomaticamente”. Despido de bom senso, postou vídeo de uma moça no Youtube com críticas aos senadores e justificativas para não se apoiar mais a CPI que antes era defendida em uníssono. A essa altura a deputada estadual Janaína Pachoal foi ao Twiter, declarou que a CPI é legal e anunciou seu rompimento com Olavo de Carvalho, o tal guru da direita brasileira.

Nessa altura, Bolsonaro, que vinha se afastando de Sérgio Moro, chamou-o para conversar na quarta e horas depois desistiu de tirar Maurício Valeixo da direção-geral da PF. A insistência em afastar Valeixo, nome da confiança de Moro, estava causando mal estar em diversos segmentos que viam nessa atitude dos Bolsonaro um tipo de manobra para proteger o filho Flávio, alvo de investigações por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Assim termina a semana. No horizonte da que vai começar, a ida de Bolsonaro à ONU e os preparativo para a sabatina de Eduardo no Senado, o que poderá garantir ou não a vaga na Embaixador em Washington. A ver.

 

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