08 de julho de 2026

O tamanho do incêndio


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A inda candidato à presidência da República, Jair Bolsonaro prometeu que, se eleito, acabaria com o que chamava de “indústria da multa” do Ibama, órgão que o havia punido no ano anterior ao flagrá-lo pescando em área interditada. Foi aplaudido por um de seus grandes apoiadores, o general Oswaldo Ferreira, que emendou ser ótima a ideia, porque assim não se teria “Ibama para encher o saco (sic)” de quem cortasse árvore. Por essa época, o candidato Bolsonaro já manifestava sua intenção de fundir os ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura, o que soou a muitos como “colocar raposas para tomar conta do galinheiro”. Também fez questão de dizer que sairia do Acordo de Paris.

Os problemas ambientais, portanto, nunca fizeram parte do pacote de preocupações de Jair Bolsonaro, que, eleito, ignorou o fato de que no final de 2018, o então ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, alertava que a Amazônia vinha queimando muito além do esperado no período; e que o Greenpeace havia repercutido o alerta, mostrando imagens de enormes queimadas na região entre os estados do Amazonas, Acre e Roraima.

No começo do último julho, o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) divulgou estudo detalhado, a partir de imagens capturadas por satélites. Segundo essas, o aumento do desmatamento de abril a junho havia dobrado em relação ao mesmo período do ano anterior. O estudo, acompanhado de fotos, provocou reações no Exterior, o que levou o presidente a desmentir a pesquisa; a demitir o cientista Carlos Nobre, por 40 anos à frente do Instituto; e a contratar outro órgão para refazer as análises.

Mas nem houve tempo para colher novos resultados, porque os satélites da NASA confirmaram os do INPE. Bolsonaro não ousou, desta vez, desmentir a NASA. Com isso, países como Alemanha e Noruega, que destinavam recursos para apoio ambiental à Amazônia, interromperam as verbas.

Na terça-feira, no seu estilo grosseiro, Bolsonaro retaliou o presidente da França, Emmanuel Macron, que havia alegado preocupações com as notícias sobre incêndios na floresta amazônica. Na sua réplica, o líder francês não só reiterou suas inquietações, como convocou uma reunião para este fim de semana, dentro da agenda do G-7, que agrega as maiores economias do mundo. Os sete líderes vão tratar do assunto brasileiro que está assustando o mundo, pois as quilométricas labaredas ameaçam consumir parte da maior floresta tropical do nosso planeta.

O assunto ganhou a mídia internacional. Artistas de todas as latitudes engrossaram os protestos. Ambientalistas devem sair às ruas das capitais europeias neste sábado. Bolsonaro, aparentemente nervoso, deixou de lado sua narrativa de que são ONGs contrárias ao seu governo que colocaram fogo na floresta. Tal alegação seria cômica, se não fosse trágica.

 

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