Depois de demitir aproximadamente 380 funcionários nas últimas semanas e fechar três setores em que atuava, o Grupo Amazonas agora tem encontrado dificuldades em firmar acordo com os demitidos na forma em que realizarão os pagamentos dos acertos de cada um deles. Em Franca foram demitidas 230 pessoas dos setores de solas, placas e transporte.
De acordo com informações do Setor de Inspeção do Trabalho da Gerência Regional do Trabalho em Franca, órgão do Ministério da Economia, o departamento recebeu denúncia de diversos trabalhadores sobre a não concordância com os termos da rescisão, por julgá-los abusivos.
“Procedida a análise das rescisões, verificou-se que, nessa proposta, ao trabalhador restou apenas a concordância, sob pena de não receber as verbas rescisórias, cujo prazo legal deveria ser de dez dias, não comportando a dilação imposta no acordo, que sequer previu o pagamento da multa estipulada”, explicou o auditor do trabalho Fernando Miguel.
Baseado nas denúncias a Gerência Regional do Trabalho realizou reunião de mediação coletiva, através do Núcleo de Solução de Conflitos. Na ocasião, com representantes da empresa, dos sindicatos envolvidos (borracha, motorista e químicos), do Ministério Público do Trabalho e também do Setor de Inspeção do Trabalho, houve avanço em relação a proposta inicial em três itens: inclusão do pagamento da multa, quitação apenas das verbas rescisórias e também a inclusão de uma cláusula de penalidade no caso do acordo não ser devidamente observado pela empresa.
Para tentar mais avanços, incluindo a redução do número de parcelas para o pagamento do acordo cuja a empresa propõe realizar em 30 vezes, será realizada uma nova reunião nesta quinta-feira, 22.
A reportagem entrou em contato com a empresa, mas não houve retorno até o fechamento da matéria. Nomeada porta-voz da empresa em um primeiro momento a jornalista Ana Kraus também foi procurada, porém informou que não exerce mais a função já que sua ligação seria com o CEO Denílson Farias, desligado recentemente da Amazonas.