08 de julho de 2026

Diretas já


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Já tive a oportunidade de externar mais de uma vez, neste Comércio, a capital importância da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), no combate à ditadura militar, no processo de redemocratização do país, na permanente vigilância nas ações encetadas pelas instituições democráticas e, também, como guardiã da Justiça, do Estado Democrático de Direito e das liberdades individuais.

A história da OAB deve sim encher de orgulho todos aqueles que dela participam ou participaram, pois em todos os momentos decisivos da nossa trajetória política, ela não se omitiu, pelo contrário, sempre se fez presente para exigir o respeito ao Direito, à Constituição e às leis infraconstitucionais.

Contudo, uma instituição com uma trajetória de vida tão rica e marcante, não pode continuar elegendo o seu principal mandatário, ou seja, seu Presidente Nacional, de maneira indireta. Sim, pois uma das grandes batalhas por ela travada no passado, foi, exatamente, a de lutar para extirpar do nosso país a famigerada eleição indireta para os cargos de Governador e Presidente da República.

É de domínio público que ela participou, ativamente, do maior movimento popular não armado da nossa história. Esse movimento ficou conhecido como “Diretas Já”. Portanto é inconcebível ela pregar eleições diretas em todos os níveis para o país, mas não agir da mesma maneira na escolha do seu maior dirigente.

Há bastante tempo a maioria dos seus membros, condena a esdrúxula forma de escolha do seu presidente, sobretudo porque eleição indireta acaba por eleger despreparados e que podem se utilizam do cargo em benefício próprio, ou para fazer proselitismo de ideologias radicais, seja de esquerda ou de direita, práticas essas que todos querem esquecer.

Assim, se a OAB quer continuar contando com o respeito e o apreço de todos os seus filiados e da própria Nação, ela deverá rever os seus Estatutos, estabelecendo “Diretas Já” para todos os seus cargos de direção, sob pena de cair no descrédito popular, na medida em que prega uma conduta, mas internamente adota outra diametralmente oposta.