Acontecimentos inesperados e inusitados tomam de surpresa os três poderes da Nação e pedem respostas urgentes, que não podem ser dadas porque não há disciplina normativa específica sobre os strikes dos hackers
Desde que há poucos dias a Polícia Federal deteve quatro integrantes de uma quadrilha responsabilizada por hackear celulares de autoridades e políticos, cresceu a apreensão destes em relação ao conteúdo do material coletado. Surpreendentemente, os criminosos são pessoas com antecedentes de pequena monta; em nada semelhantes ao que protagonizaram agora ao invadir e capturar dados de mais de mil brasileiros conhecidos do público. O número é grande; coloca em polvorosa os hackeados, ansiosos diante da falta de detalhes que possam formar o quebra-cabeça e responder às perguntas: por quê? para quê? com qual objetivo? Pouco se sabe até agora, quando essas linhas são escritas. Mas estamos no Brasil, onde dormimos com uma notícia e acordamos com desdobramentos impensáveis a respeito. As coisas têm caminhado muito depressa. Acontecimentos inesperados e inusitados tomam de surpresa os três poderes e pedem respostas urgentes que infelizmente não podem ser dadas porque ainda não há disciplina normativa específica a respeito de crimes cibernéticos.
No início das investigações, a Polícia Federal acreditava que o alvo dos quatros delinquentes, que nem são gênios da informática, conforme se suspeitava de início, era a “Operação Lava Jato”. Eles estariam tentando miná-la e implodi-la, levados não se sabe bem por quais sentimentos. Mas diante da volumosa apreensão de conversas de autoridades de competências diversas como o presidente da República, os presidentes da Câmara e do Senado, a procuradora-geral da República, os ministros do Supremo e do STJ, aos ministros da Justiça e da Fazenda, a líder do governo da Câmara e tantos outros, não há mais nenhuma certeza. De evidente, apenas o fato incontestável de que as instituições, os chefes dos três poderes, as políticas estratégicas e os assuntos sigilosos do Estado estiveram em situação de extrema vulnerabilidade.
Por enquanto o trabalho da Polícia Federal centra-se em dois eixos. A quadrilha teria agido para concretizar um plano desenvolvido previamente e que contemplaria o desejo de todos de vender as informações para os direta ou indiretamente interessados em não vê-las publicadas. Ou então o plano teria sido executado em resposta à demanda de grupos cujos objetivos seriam jogar gasolina no fogo e criar mais uma crise no Brasil. Ficam a dúvida e a espera em mais e melhores informações, que certamente hão de vir. Fica também a clara consciência de que o país necessita acompanhar o que vêm fazendo países europeus ao criarem legislação específica para crimes cibernéticos- uma realidade que não tem revertério.
Nesse clima de incertezas e de gravidade a semana termina, a poucos dias do fim do recesso do Congresso e do Judiciário. Agosto vem aí, com a sombra dos hackeamentos pairando sobre discussões e votação de projetos essenciais à recuperação da economia do país.
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