A Fundação Abrinq, utilizando dados do IBGE - órgão do próprio governo federal - aponta que cerca de 9 milhões de crianças brasileiras vivem em situação de extrema pobreza. Em tempos de férias escolares, como estamos agora, muitas delas passam fome já que não podem contar com as merendas. O Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional, que também pertence ao Ministério da Saúde identificou, em 2017, 207 mil crianças menores de cinco anos com desnutrição grave no Brasil. Pesquisa de Segurança Alimentar, também do IBGE, de 2013, apontava que uma a cada cinco famílias brasileiras tinha restrições alimentares ou preocupação com a possibilidade de não ter dinheiro para pagar comida. Ainda assim, para o presidente Jair Bolsonaro, é uma “mentira” dizer que existe fome no Brasil.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística tem dados fartos. Segundo ele, há 54,8 milhões de brasileiros abaixo da linha da pobreza, e, dados de 2017, dos quais 25,5 milhões (45%) estavam no Nordeste. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostrou que a proporção de miseráveis no país subiu de 6,6% para 7,4% de 2016 para 2017. Na classificação do Ipea, miseráveis são aqueles que vivem com um rendimento médio domiciliar per capita de até um quarto do salário mínimo. Ou seja, quase 10% da população brasileira vive com até R$ 250, o que impede a manutenção de uma alimentação minimamente razoável.
Os dados são muitos. A maior parte, é obtida e divulgada pelo próprio governo. Faz pouquíssimo sentido, o presidente da nação ignorar todas esses levantamentos e informações e dizer que fome no Brasil, é “mentira”. Para piorar, esses mesmos números são monitorados por qualquer governo para nortear as medidas governamentais, os programas a serem prioridade. Afinal, em qualquer país, a prioridade para um governo é proteger os mais carentes, a população mais vulnerável.
Só no Brasil, diante deste cenário, se imagina que, em vez de se dedicar a tirar as crianças da fome e melhorar a vida dos miseráveis, o presidente esteja fechando os olhos para tudo isso enquanto se dedica a garantir cargos para seus próprios filhos ou até a tratar com menosprezo uma região inteira do país, como o nordeste, usando com tom jocoso o termo “paraíba” para definir todos os governadores de mais de nove estados, que formam a terceira maior região do País. Prioridades. Ou a inversão completa delas.