Aproveitando o advento da Flip, umas das coisas mais chiques de Paraty cresceu: o Gastromar. Não que Paraty precise dele para ser chique, de forma alguma, a cidade manteve a aura de toda a riqueza que por ali embarcou – uma amiga da colunista Nina Horta dizia que, em Paraty, todo mundo é rico disfarçado de pobre. Tenho comigo que esse efeito vem do fato que as “belezas” de Paraty não estão à mostra vulgarmente, é preciso cortejá-las.
Pois bem, por exemplo, o tal Gastromar é um restaurante que não se vê facilmente. Ele não está no Centro Histórico, fica na Marina Porto Imperial, é preciso ir até ele, a gente não topa com ele. Durante a Flip, talvez para se mostrar um pouco mais, a empresária Gisele Schmitt abriu uma filial bem no Centro Histórico, e fez dele local de convivência, palestras e degustações. Depois da Festa Literária ela segue com o restaurante, mas como uma mostra do originário.
O projeto mais interessante do Gastromar é o atendimento exclusivo no mar. O cardápio pode ser o mesmo, embora em caso de encomendas haja a possibilidade de algo personalizado. Nesse caso, se chama Sem Pressa: trata-se de uma embarcação de 50 pés. Está para alugar a partir de 2 pessoas, no máximo 18, é uma traineira desenhada e construída por artistas artesões de Paraty e navega sossegadamente na velocidade que mantém estável seu champanhe. É um luxo! E pode ser discreto: se você não postar, ninguém vai te ver. Essa atividade tem nome: Catering Náutico de Alta Gastronomia. Parece ser inédito, pois o foco é a comida de excelência. A tripulação vem junto e tanto a cozinha, como o bar estarão ao inteiro dispor. Coisa de sonho mesmo.
O restaurante em terra, quase dentro da baía, prefere ingredientes locais e sazonais e prioriza os clientes da marina, portanto, reserva é essencial. Dentre os muitos pratos de sucesso, o que me veio ao paladar é o Peixe Imperial: um filé de Robalo com purê de batata trufada, espinafre e amêndoas.
A propósito, seria bom que esse robalo fosse peixe pescado daquele mar. Certa vez, eu estava em Paraty, fazendo um passeio modesto com um pescador e ele exultante como um rei. Contou-me que estavam em competição na vila de Picinguaba para saber quem pescaria um robalo imenso que estava por ali. A aposta perdera o objeto porque, no amanhecer do dia anterior, a vila viu dois forasteiros saindo do mar com cilindros nas costas e o peixe arpoado. Mobilizados, os pescadores, num uníssono: alto lá! Libertaram os desonestos e fizeram em terra o que queriam ter feito na água: capturaram um belo robalo de uns 20 quilos.