28 de fevereiro de 2025
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Pequeno grande homem


| Tempo de leitura: 3 min
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João tem crescido rápido. Tão rápido que, com frequência cada vez maior, fracasso em tentar encontrar algum vestígio da criancinha que ele era até pouco tempo atrás. Talvez o último traço deste tempo seja o sotaque peculiar, que faz com que meu filho seja uma espécie de Cebolinha – personagem que, registre-se, ele “adola”.

De resto, João é um pré-adolescente – e eu, um “pré-velho”, na sua mordaz definição – de raciocínio sofisticado, carinhoso e amoroso, leitor voraz que consome toneladas de livros e gibis, gourmet dedicado que analisa e critica tudo que come com rigor de jurado do MasterChef, torcedor e esportista fanático, e um homenzinho absolutamente apaixonado. Pela família. Pela vida. Por viagens, E, para meu espanto, já por algumas meninas que o cercam.

Foi do alto dos seus quase nove anos que João tomou iniciativa da conversa. Ele estava na avó, eu estava em casa. Me ligou. Queria saber se a mãe estava por perto. Quando assegurei que não, sapecou: “Pai, preciso conversar com você mais tarde. Só a gente. Conversa de meninos”. Assenti, já morrendo de curiosidade. “Claro, meu filho. Assim que você chegar a gente conversa”. Ele me corrigiu. “Tem que ser depois que a mamãe dormir. A conversa é só de meninos, entendeu? Só de meninos”. Entendi, mais ou menos. Mas esperei, diligentemente.

Chegou a noite, minha mulher foi dormir. “Pode falar, meu filho. O que foi”, perguntei. “Então, pai. Eu acho que estou apaixonado”. Só não caí duro porque estava sentado. “Como assim, meu filho?”. A resposta foi de uma clareza absoluta. “Quando eu chego perto, meu coração dispara”. E quem é a musa do João? Não conto nem sob tortura. Só consegui “autorização” dele para compartilhar com vocês nossa conversa com a promessa explicita de que os nomes seriam mantidos em sigilo. Sim, é plural mesmo. Tudo que posso dizer é que são três as meninas que mexem com o coração do meu filho. O resto, é segredo de pai e filho.

O que não é segredo é que João já faz planos para a sua futura família. Diz que quer ter muitos filhos. Curioso – e apressado – quis saber quantos anos eu tinha quando sua irmã nasceu. Ficou feliz ao descobrir que eu tinha 24 anos. “Faltam 15 anos para mim”, divertiu-se.

Meus netos já tem até nome. Se for menina, vai se chamar Milena, como a avó. Se for menino, Junior. Achei que era por minha causa e corrigi, explicando que teria que ser Neto. “Não, papai, é por mim mesmo. Vai ser João Toledo Franchini Corrêa Neves Junior”, asseverou. Resignei-me.

João me fez prometer que vou ajudá-lo na batalha com sua mãe, para quem nenhuma nora será boa o suficiente e que, para provocá-lo, costumava dizer que “nunca” permitiria que ele namorasse. Depois de dramáticas negociações, pactuamos aqui em casa que aos 13 anos é uma boa idade. Não sei não mas algo me diz que, a despeito do ciúme da Milena, esse pacto terá que ser revisto – e antecipado.

Meu filho cresceu. É um pequeno grande homem, lindo, sensível, generoso, com profundo senso de justiça e uma imensa capacidade de amar. “Viver é bom demais, né, papai?”, costuma repetir. É sim, meu filho. Viva, intensamente, com todas as infinitas possibilidades que seus nove anos lhes permitem. Estaremos por perto, para o que der e vier. Sempre!

Corrêa Neves Júnior, publisher do Comércio e vereador.