10 de julho de 2026
PROBLEMA

Franca tem déficit de 132 médicos na rede municipal de Saúde


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O secretário de Saúde, José Conrado Netto, realiza um estudo para reajustar e equiparar salários de médicos com outros municípios do mesmo porte

Franca enfrenta atualmente um déficit de 132 médicos na rede municipal de saúde. O problema afeta especialidades como ginecologia, pediatria e até clínicos. O principal motivo da falta de médicos na cidade, segundo a Secretaria de Saúde, está relacionado à remuneração dos profissionais que está abaixo da média salarial de municípios do mesmo porte.

Atualmente um médico em Franca recebe um salário de aproximadamente R$ 4.763,70 por 20 horas semanais, podendo dobrar esta carga e o salário em algumas situações. O médico que atua nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) ganham aproximadamente R$ 7,78 por procedimento realizado, sendo 20 consultas diárias; já especialistas, como cardiologistas e psiquiatras, que realizam em média 12 procedimentos por dia o valor pago por cada um é de R$ 9,72. As consultas com ginecologistas e pediatras saem em média por R$ 12,95.

“O valor oferecido para os médicos, especialmente quando comparado com cidades do mesmo porte, é baixo. Esta é uma dificuldade que encontramos, fazemos os concursos, mas no momento do chamamento grande parte desiste da vaga”, explicou o secretário de Saúde, José Conrado Netto.

Em busca de uma solução para a situação a Secretaria de Saúde realizou um estudo com cidades como Itatiba, Praia Grande, Santos, José Bonifácio, Paulínia, Brotas, São Sebastião e Álvarez Florence, além da mineira Formiga. O resultado, segundo o secretário, mostra que algumas delas oferecem um salário maior, sendo que em algumas o valor chega a ser o dobro do oferecido em Franca.

“A realidade é que se não fizermos algo, em algum momento ficaremos sem médicos. No início do ano, com o Plano de Demissão Voluntária, tivemos uma surpresa com a adesão de muitos pediatras e clínicos o que defasou ainda mais o nosso quadro de médicos”, disse Conrado Netto.

Hoje atuando na rede municipal de saúde, mais especificamente nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e ESFs (Estratégia de Saúde da Família), atuam 30 pediatras, 33 clínicos e apenas 9 ginecologistas. Enquanto todas as unidades contam com pediatras e clínicos, somente em 11 UBSs são realizadas consultas ginecológicas. Para suprir a demanda, principalmente neste setor, a Prefeitura tem realizado mutirões ginecológicos e há três meses contrata, por mês, 450 consultas ginecológicas na rede particular.

“No caso de consultas com pediatras e clínicos em algumas unidades o atendimento está sobrecarregado, mas a ginecologia ainda é o mais defasado. Para diminuir o tempo de espera temos contratado consultas e feito mutirões. Porém, em 12 mutirões, a média de falta foi de 30%, que em parte é ocupada por mulheres que dos bairros que aproveitam a oportunidade e são encaixadas para o atendimento”, disse.

Secretaria programa concurso

Em busca de alternativas para atrair mais médicos para a rede municipal, o secretário de Saúde informou que um concurso público para a contratação de profissionais do setor deve ser realizado ainda neste ano. O departamento não divulgou porém a data exata do processo. O objetivo é conseguir uma forma de melhorar a remuneração destes profissionais e assim ter mais candidatos dispostos a assumir as vagas disponíveis. “Conseguindo melhorar o salário, além de formas de anexar na função atrativos que complementem, agregando valores na consulta, a remuneração será maior e com certeza teremos interessados”, disse José Conrado Netto.

Nos primeiros quatro meses deste ano, entre janeiro e abril, foram realizados 126.418 procedimentos nos PSs “Álvaro Azzuz” e Infantil. Dados da Secretaria de Saúde apontam que 42% dos atendimentos neste período foram de urgência e emergência (138.445); 35% na atenção básica (116.045); e 23% na atenção especializada (75.820).