O Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) e o Sindicatos dos Sapateiros ainda não entraram em um acordo sobre os ajustes salariais e, pelo segundo ano consecutivo a classe não terá convenção coletiva.
O impasse se dá porque o índice de reajuste reivindicado pelos sapateiros e o índice oferecido pelos patrões estão muito distantes um do doutro. Enquanto sapateiros querem 9,87% de aumento, a indústria quer fechar a conversa com 3,94%.
Segundo o presidente do Sindicato dos Sapateiros, Sebastião Ronaldo de Oliveira, o acordo não acontece por causa de ajustes da reforma trabalhista.
Segundo o sindicalista, os empregadores querem alterar partes do documento, que vão,de acordo com sua avaliação, tirar direitos dos trabalhadores, como a homologação do sindicato e a compensação de banco de horas.
Ronaldo disse que, por enquanto, o Sindicato está acompanhando “as empresas que querem fechar o acordo e aquelas que os funcionários estão cobrando” de forma individual.
SEM CONDIÇÕES
O Sindifranca, por sua vez,reforça que a falta de entendimento é por conta do índice. O presidente da entidade, José Carlos Brigagão do Couto, afirma que o desacordo se dá justamente porque os trabalhadores não aceitam o reajuste salarial proposto. “Eles querem um aumento que o setor não tem condição de ceder”, afirmou Brigagão.
Ele disse que o mercado está recessivo e as empresas não têm condição de cobrir o ajuste de 9,87% exigidos pelos sapateiros desde 2018. “A proposta do Sindifranca aprovada em assembleia é o índice de inflação de 3,94%”, disse.
O salário base acordado na última convenção, em 2017, foi de R$1.148,90. Por não haver acordo desde então, as fábrica vêm fazendo reajustes de forma independente. Quando houver a próxima convenção coletiva, informou o sindicato dos sapateiros, as empresas terão de pagar a diferença desde o último acordo.
A proposta do Sindifranca subiria a base para R$1.215,79. O presidente do Sindicato dos Sapateiros afirma que a classe está aberta para negociação.