Oministro da Casa Civil, Onix Lorenzoni, afirmou logo depois das passeatas de domingo, a favor do presidente Bolsonaro, que estava confiante numa relação harmoniosa com o Congresso, a qual poderia sinalizar a aprovação da reforma da Previdência. E de outras reformas, embora essa seja a primeira de uma série de medidas urgentes, necessárias para tirar o Brasil da crise em que se encontra. Segundo Lorenzoni, para reverter a crise e retomar o crescimento, urge um “pacto” entre Executivo e Congresso para que as reformas sejam aprovadas. Ele incluiu também o Judiciário, o que soou estranho. O ministro da Economia, Paulo Guedes, o melhor quadro do governo, insistiu no reforço a esta ideia, na expectativa de que a Reforma da Presidência deve ser aprovada. “Não há antagonismo entre os Poderes”- disse Guedes.
Antagonismo pressupõe um grupo que seja contrário a qualquer protagonismo, no caso, dos que lutam pela implementação das medidas que devem alavancar, em primeiro lugar, a economia. É possível e desejável que não haja mesmo antagonismo entre os poderes. O que não quer dizer que tudo seja tranquilo e todos estejam reunidos ao redor dos propósitos do governo. Pra começo de conversa, os poderes podem ser harmônicos, e deverão ser sempre independentes.
Pessoas pensam de forma diversa sobre um mesmo assunto. Políticos são pessoas. E ainda quando haja assentimento num caso, isso não significará submissão dos parlamentares ao governo sempre. Outras batalhas virão, a exigir disposição do governante-mor para que seus planos se concretizem.
Quando se atenta para as palavras do presidente, o que se percebe é que ele considera inimigos todos que pensam contrário a ele. Parece ser-lhe impossível abrir ouvidos a tudo que não se encaixe em sua forma de julgar. As propostas de Bolsonaro podem não ser acolhidas por diversas razões, ainda que ele ache que deveriam ser porque “são pelo bem do Brasil”. É um jeito equivocado de pensar: a liderança do Congresso pode até se comprometer a facilitar a tramitação das reformas e se empenhar em favor dessas matérias, mas não garantir sua aprovação. Esta decorre do convencimento dos deputados e senadores. O que cabe ao governo fazer.
Uma questão que Jair Bolsonaro precisa compreender é que democracia dá trabalho. Os votos necessários para aprovar reformas não emergem de forma fácil. Quando este assunto vem a público, ele sempre alude ao “toma-lá-dá-cá” de governos anteriores, atitude que rejeita, com apoio de todos os brasileiros decentes, tenham votado nele ou não. Por outro lado, em busca de resultados positivos, o presidente precisa desenvolver uma escuta mais respeitosa às opiniões divergentes. E é aí que a melhor das intenções pode empacar. Porque para o grupo que atualmente nos governa, o cenário almejado é aquele onde não exista contraditório. Na vida, isso é impossível. Na política, só existe nas ditaduras.
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