08 de julho de 2026

A abelha e o vagalume


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Há alguns dias contei neste Comércio um pequeno “causo” atribuído ao Sr. Abédio, cidadão cassiense e o seu papagaio louro. Naquela oportunidade assumi o compromisso com os leitores de contar outro “causinho”, porém atribuído ao Sr. Espera, apelido de um outro cassiense, extremamente trabalhador, que durante anos prestou serviços na fazenda do Sr. Aristides Lemos.

Com a promessa, vários amigos passaram a me cobrar o tal “causo”, que conto, nesta oportunidade, ressalvando que vou repassá-lo na forma como ele me chegou, pois é importante não esquecer que, não raro, a criatividade popular acaba colocando uma pitada a mais, pois quem “conta um conto, aumenta um ponto”.

Vamos então ao “causo” desse admirável personagem mineiro.

Consta que o Sr. Espera era um modesto criador de abelhas, possuindo alguns poucos enxames sob seus cuidados. Certa feita, chegando em casa já com a hora adiantada, considerando a sua rotina de trabalhador da roça, foi logo indagado pela esposa o motivo do atraso, já supondo ela, com certa razão, que ele teria estado em algum bar contando as suas “lorotas” e bebericando com os amigos.

Então Espera, serenamente, teria respondido a ela que esteve trabalhando. A esposa desconfiada da desculpa esfarrapada, quis saber a natureza do serviço. Espera então lhe disse que esteve caçando vagalumes.

A esposa, já bastante nervosa, obviamente quis saber a finalidade dos vagalumes. Espera, calmamente (aliás, atributo que lhe era próprio, tanto que o seu apelido vem daí), teria respondido que estava cruzando os vagalumes com as suas abelhas, gerando assim uma nova raça, com alta produtividade de mel, pois elas seriam dotadas de uma pequena lanterna, semelhante à dos vagalumes, que permitia o trabalho de dia, como de costume, mas agora também no período noturno.

Espera sempre garantiu a todos os seus amigos e admiradores que esse cruzamento foi um sucesso total. Lamentava, apenas, não ter patenteado o invento.