A ONU não desiste. Mesmo ante os ouvidos moucos dos líderes mundiais, alerta para a urgência de drásticas mudanças no comportamento humano, sob pena de aceleração das tragédias ambientais.
Petteri Taalas, Secretário-Geral da Organização Meteorológica Mundial, está preocupado com a elevação de dois graus centígrados da temperatura da Terra. A mudança climática é evidente e impacta ecossistemas e seres humanos em todo o planeta.
Para David Boyd, Relator Especial da ONU para direitos humanos e meio ambiente, a mudança climática já está tendo e terá ainda mais graves efeitos devastadores nos direitos humanos, inclusive a vida, saúde, alimentação, moradia e, principalmente, água.
Com o aumento de dois graus centígrados, o verão não tem mais gelo na Antártida. Isso acaba com os ursos polares e com as baleias. Escasseia a produção de alimentos, aumenta os incêndios florestais e acelera o extermínio de recifes de corais.
O próprio Secretário-Geral da ONU, o português António Guterres, se comunica no Twitter para dizer que não é impossível limitar o aquecimento global. Mas isso exige ação coletiva e sem precedentes : “Não há tempo a perder!”.
Não é achismo, nem catastrofismo ecológico. É um relatório calcado em mais de seis mil estudos sobre o tema e o primeiro encomendado por líderes mundiais após o acordo de Paris, do qual os EUA já roeram a corda.
Cerca de quase quarenta por cento da população mundial ficará exposta a fenômenos de calor extremo, ao menos uma vez a cada cinco anos. Mais de 411 milhões de pessoas sofrerão com a falta d’água. Desaparecerão da face da Terra dezoito por cento dos insetos, dezesseis por cento dos vegetais e oito por cento dos vertebrados. Também desaparecerão os recifes de corais e de trinta e dois a oitenta milhões de pessoas estarão expostas a inundações.
Mesmo assim, as pessoas não se comovem. E você? É parte da solução ou é parte do problema?
José Renato Nalini
Reitor da Uniregistral, docente, conferencista e autor de Ética Ambiental