“Dizem que mãe não morre, fica invisível e sempre está ao nosso lado. Sim, Mariucha está hoje conosco.” Essa foi a frase utilizada pelos filhos na despedida de uma grande personalidade francana, Maria Antonieta Caleiro Palma, mais conhecida como “Mariucha”. Ela morreu aos 96 anos, no último dia 28 de abril. Segundo o boletim médico, Dona Mariucha morreu devido a uma falência múltipla de órgãos.
Nascida no dia 17 de abril de 1923, Maria Antonieta era filha de Ana Jacinto Caleiro e Higino Caleiro Filho, que por sua vez era sobrinho do ex-prefeito Major Torquato Caleiro, que deu nome a uma das mais tradicionais escolas públicas de Franca. Dona Mariucha foi casada com o saudoso médico e fazendeiro Breno Palma, com quem teve cinco filhos: Rafael, Delduque, Antônio Jacinto, Suzana e Breno. Católica atuante, dava aulas de catecismo para crianças, preparando-as para a Primeira Comunhão. Os encontros eram realizados toda semana em sua casa, que foi transformada em um local de oração, onde vários jovens aprenderam um pouco mais sobre a bíblia e os ensinamentos católicos. Mariucha era responsável também pela captação de recursos para vocações e formação de seminaristas e padres.
Com o avanço da idade, dona Mariucha começou a enfrentar algumas dificuldades e, após um longo tempo em sua casa sendo ajudada por cuidadoras, foi encaminhada ao Lar Dona Leonor. Dona Mariucha ficou por 50 dias no Lar. No dia 18 de abril desse ano, dia posterior ao seu aniversário de 96 anos, seus filhos organizaram uma festa no Lar, onde familiares e amigos compareceram para celebrar mais um ano de vida de Dona Mariucha.
Uma semana após o aniversário, ela teve uma queda forte de pressão e foi internada no Hospital São Joaquim. Após oito dias, a mulher de fé e querida por muitos não resistiu. “A vovó Mariucha morreu no dia da Divina Misericórdia. Temos certeza de que ela recebeu esta graça como presente de Deus em reconhecimento a quem se deixou raptar pelo seu amor e verdadeiramente praticou na sua vida a caridade, compaixão e amor ao próximo,” disse Danilo Caleiro Palma Chedid, neto de Maria Antonieta. “Sou grato a Deus pela oportunidade que me deu de ter tido essa experiência divina chamada Mariucha na minha vida, na vida da minha mulher, Eduarda, e de minha filha Catarina.”
Maria Antonieta era a leitora mais antiga do Comércio Franca, carregou consigo a tradição da família que acompanha o jornal desde seu começo, há 103 anos. O costume foi passado para os filhos e netos, que ainda acompanham as notícias pelo jornal. Danilo Chedid disse que assumirá a assinatura da avó com o jornal para manter a tradição da família.
Em entrevista ao Comércio em 2017, Mariucha disse que desde que aprendeu a ler, quando criança, carregava um Comércio nas mãos e foi assim ao longo da vida. Segundo um dos filhos, quando sua memória começou a falhar, ela reclamou que não estava recebendo seu jornal. “Para tranquilizá-la, falei que agora o jornal só seria entregue aos finais de semana, mas eu que compraria um computador para ela ler o jornal. Ela riu e disse que nem sabia ligar um computador”, disse Antônio Jacinto Caleiro Palma em um documento deixado em homenagem a mãe.
Dona Mariucha deixa cinco filhos, 12 netos e 14 bisnetos. Nas redes sociais é possível ver o carinho e muitas homenagens. “O escritor Fernando Sabino tem uma frase que retrata a mamãe. “O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis’”, citou Delduque Caleiro Palma, 74, filho de Mariucha.