10 de julho de 2026

O futuro da cafeicultura


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No ano de 2018, o Brasil produziu algo em torno de 58 milhões de sacas de café de 60 kg. Com essa produção o país alcançou 36% da produção mundial que foi de, aproximadamente, 160 milhões de sacas. Estamos em primeiro lugar no Mundo, seguido pelo Vietnã, com 29,5 milhões de sacas. Neste ano há expectativas de novo recorde de produção.

Outro fato que merece ser comemorado é a produtividade média que também foi recorde em 2018 (30,86 sacas por hectare, segundo estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB). Minas Gerais ainda lidera o ranking dos maiores Estados produtores, seguido pelo Espirito Santo, São Paulo e Bahia.

Porém, infelizmente, não obstante todos esses recordes, o setor cafeeiro, de uma maneira geral, se encontra descapitalizado e endividado, o que é pior, pois o preço médio da saca de 60 kg, atualmente, gira em torno de R$ 380,00 para cafés de boa qualidade, valor próximo do custo de produção e com viés de baixa. Se de um lado o preço cai, por outro os custos crescem consideravelmente em decorrência do aumento nos preços do adubo e dos insumos químicos que são atrelados ao dólar.

Com toda essa instabilidade, o Grupo Terra Forte, do Empresário João Faria da Silva, provavelmente o maior exportador de café do Brasil, se viu forçado a requerer Recuperação Judicial, cujo processamento já foi deferido pelo Juiz da 1ª Vara Cível da Comarca de Campinas.

Com esse cenário, os prognósticos do setor, neste ano, não são nada alvissareiros. Pelo contrário, se não houver uma pronta intervenção do Poder Público, especialmente com a concessão de créditos mais baratos e de longo prazo, política sensata de preços, além de medidas eficazes de parcelamentos das dívidas dos cafeicultores, a situação pode piorar mais, pois estima-se que o setor não chegou no fundo do poço ainda.

No entanto, há uma luz no final do túnel: o povo Chinês passou a consumir café com mais intensidade. Esse fato, em tese, abre um novo horizonte, pois são mais de 2 bilhões de possíveis novos consumidores. Vamos torcer e conferir, pois o povo da roça precisa muito da cafeicultura.