08 de julho de 2026

A marca de Gilson


| Tempo de leitura: 3 min

O dom, a que alguns chamam talento, aptidão ou vocação, parece ter sido distribuído de forma justa entre os seres humanos: cada um recebe o seu. Os vocacionados à música, à escrita, ao magistério, ao jornalismo, ao comércio, à agricultura, à pecuária, à biologia, ao direito, à medicina e a tantos outros fazeres, podem revelar bem cedo seus dons. Ou não. Às vezes há necessidade de um percurso longo e enviesado até que a pessoa descubra qual é o trabalho que a torna feliz e realizada no mundo. Também existem aqueles casos onde a pessoa nunca descobre, e, por necessidade ou comodismo, adapta-se a uma função na qual consegue produzir alguma coisa e ganhar a própria subsistência. É um pouco triste e muito comum.

Políticos, no seu sentido mais saudável, logo se revelam. Desde os bancos escolares assumem lideranças, têm ideias para seu grupo, demonstram um olhar menos narcisista no seu meio, parecem gostar de servir à sua comunidade. E se dividem, de uma forma que se apresenta clara aos que os acompanham, segundo suas aptidões.

Os que têm gosto pela pela discussão, pelo estudo dos problemas, pela apresentação de ideias que podem melhorar a vida dos que representam, tratam de conquistar uma cadeira no legislativo. Suas personalidades favorecem as longas discussões, a pesquisa no imenso cipoal das leis que nos governam enquanto cidadãos, o bate-papo descontraído ou sério com seus pares que opinam e aos quais reagem com discursos em plenário onde colocam suas posições quanto ao que acham mais acertado ou menos plausível.

Mas os de tino resolutivo, que querem de fato resolver os problemas de forma objetiva, estes procuram o caminho do executivo, onde podem ver transformadas em realidade seus anseios, suas propostas eleitorais. Eles têm modos de agir que, em geral, agradam a população, pois sendo por natureza criativos e dinâmicos, sentem prazer em demonstrar que podem executar planos em meio a dificuldades; que conseguem administrar conflitos no contexto das equipes que escolhem para trabalhar consigo; que não se amedrontam diante do contraditório; nem ficam o tempo todo procurando saber o que pensam dele aqueles que o escolheram num pleito eletivo. Estão sempre em ação, visíveis aos olhos dos cidadãos, trabalhando, mostrando o que está sendo possível realizar diante das adversidades financeiras, econômicas e outras que sempre surgem e são inevitáveis para o homem público neste nosso país onde a economia, neste momento, está travada. Desafios inevitáveis, mas superáveis, se são talentosos, destemidos e empenhados nas causas que defenderam enquanto candidatos.

Gilson de Souza, pela primeira vez eleito prefeito de Franca, depois de ter defendido os interesses da cidade como deputado, tem demonstrado que sua vocação não é para o executivo. Lento na tomada de decisões, enrolado nas respostas, confuso na exposição de ideias, ausente da cidade boa parte do tempo, encontrou ainda enorme dificuldades em montar e manter uma equipe e firmar parcerias com seus assessores, secretários e auxiliares. E, o que parece agravar esta cena, revelou-se incapaz de delegar a outros funções das quais não consegue dar conta. O que se vê, ou melhor, não se vê, é a sua marca em qualquer lugar. Cada prefeito que passou por Franca imprimiu a sua digital. Sobre Gilson, a sua inação o está levando a concluir o mandato de forma inexpressiva. Quando a história o lembrar, será talvez com a marca do marasmo, um sinônimo para inação.