08 de julho de 2026

Em compasso de espera


| Tempo de leitura: 3 min

O mês de abril está terminando de forma preocupante para grande parte dos brasileiros que mantêm espírito critico e a necessária lucidez na avaliação dos dados da economia do país. Um dos sintomas de que algo vai mal são as filas gigantescas de pessoas em busca de trabalho, que a mídia tem mostrado com certa frequência ultimamente: há muita gente em busca de poucas vagas disponibilizadas nos segmentos do varejo. As imagens de trabalhadores na fila da senha que lhes garanta entrada em outra fila para apresentação de currículo e entrevista, impressionam. E só reafirmam o que os dados do Caged registram: o Brasil perdeu, em março, mais de 43 mil vagas formais. Sem a criação de novos empregos, o consumo se ressente e a inadimplência avulta. Estima-se que 40% dos brasileiros não conseguiram saldar suas dívidas até agora, mantendo-se atrasados ou até negativados. De 60 milhões em 2018, o número subiu para 63 milhões na última pesquisa, feita em fevereiro e disponibilizada na semana passada.

Outro problema é a arrecadação do governo, que se mostrou 5,2% menor em relação a fevereiro, mês em que chegaram aos cofres públicos R$109,8 bilhões de reais. Para explicar o fato, diretores ligados à Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia falam que o baixo nível da atividade econômica desde 2015 vem prejudicando a arrecadação. Os analistas respondem a isso explicando o que até aos leigos parece óbvio: o setor privado patina, não avança, está estagnado. Ou, como tem sido usual definir, encontra-se em compasso de espera, pois os investidores não se arriscam a nada antes de terem um panorama mais exato sobre as contas públicas. Esse cenário só vai se reverter se a reforma integral da Previdência for aprovada. Quanto antes aconteça, melhor para a economia.

Essencial para todos os segmentos, pois não restam dúvidas de que, se não acontecer, o país literalmente quebra em pouco tempo, a reforma das aposentadorias completou com muita dificuldade a primeira etapa na Câmara dos Deputados, a aprovação na Comissão de Constituição e Justiça, considerada a mais simples. Mas há muito a caminhar, conforme disse o próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia, enfatizando que esta empreitada precisa do envolvimento do presidente Jair Bolsonaro, que, é bom lembrar, em seus vinte anos de vida parlamentar, sempre votou contra os projetos de reforma que vêm tramitando de forma manca desde o governo Fernando Henrique Cardoso.

Ao se afastar de discussões mais assertivas sobre o tema; deixar a defesa enfática do mesmo apenas para o ministro Paulo Guedes; ou emitir sinais dúbios a respeito de itens fundamentais que não são do agrado da maioria, o presidente não anima os setores produtivos, que sabem da importância da arregimentação de votos para a aprovação da reforma. Para conquistá-los, o presidente precisa dialogar com os parlamentares, e mostrar a todos os brasileiros disposição de ânimo e vontade em ver aprovado o projeto que é imprescindível para o crescimento do país. Isso exige energia, que às vezes é desperdiçada em atitudes incompreensíveis como a ordem para retirada da publicidade veiculada nessa semana pelo Banco do Brasil, visando à conquista de uma clientela jovem. Algo que ninguém até agora entendeu.


email opiniao@comerciodafranca.com.br