LUCIANO TRINDADE
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
Ao conquistar o tricampeonato paulista pelo Corinthians neste domingo (21), o técnico Fábio Carille, 45, repetiu um feito que só havia acontecido uma vez na história do clube, há 95 anos. Em 1924, o time alvinegro conquistou a sua primeira série de três títulos estaduais seguidos, todos sob o comando do mesmo treinador, Guido Giacominelli.
Campeão paulista em 2017 e 2018, Fábio Carille voltou ao Parque São Jorge nesta temporada tendo justamente esse como um de seus objetivos. "É mais uma responsabilidade", disse o treinador, no fim do ano passado, ao desembarcar em São Paulo para assumir a equipe, após trabalhar no futebol da Arábia Saudita.
Das três conquistas de Carille, a deste ano tem um valor simbólico maior para o técnico. Não só por igualar a marca de Giacominelli, mas também por afastar a sombra do trabalho que ele mesmo fez no clube em sua primeira passagem.
Bicampeão paulista e campeão brasileiro, o comandante chegou neste ano com o desafio de corresponder à alta expectativa que o torcedor corintiano depositou nele por seu histórico. "Não tive receio de voltar e não ter o mesmo sucesso", afirmou à Folha em janeiro. "Eu me preocupei em organizar a equipe, fazer um time com a característica do Corinthians, de bastante entrega, bastante doação, porque eu sei que a consequência disso é brigar por títulos", explicou.
A situação do início da temporada era bem diferente da vivida pelo agora tricampeão quando era um ex-auxiliar e assumiu o time pela primeira vez, em 2017, como uma aposta da diretoria. Além da função que exercia, sua única credencial na época era o fato de ter trabalhado no clube com Tite e Mano Menezes, suas referências na profissão.
Carille chegou ao Parque São Jorge há dez anos para trabalhar como auxiliar na equipe liderada por Mano Menezes. O técnico do Corinthians na época tinha Sidnei Lobo como seu braço direito. E foi ele quem indicou o atual treinador do clube para participar naquela comissão técnica, que conquistou a Copa do Brasil e o Paulista em 2009.
"Tenho uma gratidão eterna pelo Mano e pelo Sidnei, que me trouxeram para o Corinthians", afirmou o técnico.
Emancipado por suas conquistas, Carille já tem seu nome gravado na história corintiana, assim como Guido Giacominelli fez na década de 1920.