Para os cristãos, principalmente para católicos apostólicos romanos, a Páscoa tem um significado fundamental. Após 40 dias de penitências - a quaresma - se passam alguns dos momentos mais importantes da vida de Jesus Cristo. Mesmo para as demais religiões, o recomeço é um simbolismo muito importante ainda nos dias atuais e o domingo é uma grande oportunidade de reflexão.
Durante a semana santa, reunido com seus apóstolos, Jesus divide a mesa, partilha sua última refeição, enfrenta terríveis crueldades até que se despede e, aos que acreditam, segue para a vida eterna.
Crenças religiosas à parte, é consenso que estamos diante de dias de intolerância crescente, onde palavras se tornaram armas vorazes pelas redes sociais, e divergências políticas dão abertura para debates verdadeiramente cruéis. Pensar que tudo isso ocorre no Brasil, um dos países mais religiosos do Globo, uma nação hospitaleira e amigável, é um verdadeiro paradoxo.
Antes de morrer, Jesus foi um exemplo de pacifismo, contam tanto as escrituras quanto os historiadores. Atendeu e se aproximou das classes sociais mais criticadas e vulneráveis da época. Falou sobre amor ao próximo e mostrou como fazer em diversas oportunidades. “Ame seus inimigos, faça o bem para aqueles que te odeiam, abençoe aqueles que te amaldiçoam, reze por aqueles que te maltratam. Se alguém te bater no rosto, ofereça a outra face”, disse para desafiar-nos ainda hoje.
Segundo o último levantamento do IBGE cristãos são 86,8% no Brasil, sendo 64,6% católicos. É difícil compreender, no entanto, como seguidores deste tipo de exemplo, como os de Jesus, sejam capazes de se armar de verdades “incontestáveis” para apontar o dedo e bradar violentamente contra minorias ou simplesmente contra quem pensa diferente.
O levantamento sobre religiões, destarte, não é tão relevante. Afinal, budistas, hindus, qualquer religiões de origem africana, indígenas ou qualquer outro pensamento religioso prega essencialmente o mesmo: respeito a si mesmo, respeito ao próximo, respeito ao planeta.
Além de Jesus, grandes mestres também deixaram suas marcas pela história, dando exemplos de que é possível lutar por uma sociedade melhor e mais justa sem transformar essa luta em uma guerra contra o outro. “De uma forma suave, você pode sacudir o mundo”, disse Gandhi que, assim como Jesus, conseguiu revolucionar seu mundo sem atacar nenhum outro ser humano.
Talvez num futuro, em um domingo de Páscoa, possamos celebrar a oportunidade de viver, a gratidão por tudo que nos certa, pelas lições que já recebemos e, com isso, que consigamos aprender a usar nossas palavras, nossas ações para construir conexões, para inspirar mudanças e incentivar bons exemplos e não para massacrar e destruir seja quem for. Justiça também exige equilíbrio. Afinal, como vale relembrar em dias como hoje, por mais assustador que seja, sempre há a possibilidade de recomeço. Feliz Páscoa.