08 de julho de 2026

Barraco e muita confusão


| Tempo de leitura: 3 min

Problemas são absolutamente normais no cotidiano de todos nós. Conflitos, desentendimentos, imprevistos… Nenhuma pessoa, empresa ou órgão público está imune a sofrer com algum tipo deles. O grande desafio, no entanto, é enfrentá-los da melhor maneira possível. A Prefeitura de Franca, nesta semana, deu dois grandes exemplos perfeitos do que não fazer.

A primeira confusão é o adiamento do passeio Franca-Restinga. Tradicional, o evento é realizado há 37 anos. Marcado para o dia 5 de maio, a edição deste ano virou uma grande confusão. Em resumo, com a mudança no comando da Polícia Rodoviária de Franca, uma portaria do DER de 2013 passou a ser exigida agora. Com isso, as exigências, até então flexibilizadas, obrigaram a administração a repensar todo o evento.

Não se trata de uma legislação nova, é uma portaria que trata de eventos muito específicos. No mundo da burocracia brasileira, é compreensível que normas do tipo não sejam de amplo conhecimento. A grande questão é como o governo comunicou a todos o que estava acontecendo. Em vez de explicar que houve um problema e quais medidas seriam tomadas para resolvê-lo, a ideia foi tentar resolver “no jeitinho”. É claro que a história veio à público sem explicação alguma. Até agora não se sabe o que será feito ou quando o passeio acontecerá ou, sequer, se acontecerá.

O outro caso da semana é ainda mais lamentável. Um verdadeiro barraco foi armado em plena Secretaria de Educação. Em um vídeo publicado no Facebook e espalhado pelo Whatsapp, três funcionários batem boca no estacionamento da secretaria. Não é possível saber exatamente qual a origem do problema, mas a servidora Ângela Barbosa acusa outros dois servidores de assédio em um vídeo repleto de bate-boca. Não bastasse o primeiro vídeo, na tarde de quarta-feira ela publicou outro, usando um crachá da Prefeitura de Franca, com 25 minutos, explicando o ocorrido e fez novas acusações, desta vez incluindo o secretário Edgar Ajax. Acusa o secretário de ser omisso, de ter protegidos na secretaria, de fazer viagens para fins nada profissionais e segue ladeira abaixo.

Sem mesmo analisar a veracidade das acusações (que devem ser apuradas com muita seriedade), uma coisa é muito clara: é um absurdo que a Secretaria de Educação, que deveria ser o exemplo de equilíbrio, seja palco de um barraco tão escandaloso.

Segundo um dos vídeos, a própria Ângela diz trabalhar na ouvidoria. Ou seja, uma pessoa responsável por receber denúncias dos munícipes e procurar um caminho para que elas sejam apuradas, usa as redes sociais para resolver problemas. A pergunta que fica é, como, um servidor de confiança do governo Gilson de Souza não utiliza os caminhos da própria administração ou os previstos pela legislação e prefere vir a público usando o Facebook?

Também é difícil entender porque o secretário Edgar Ajax não agiu antes para dirimir os conflitos e resolvê-los antes de permitir que a sua pasta fosse manchada por uma confusão tão incompreensível.

Diante dos acontecimentos da última semana, fica fácil entender porque é crescente uma percepção tão ruim do governo Gilson de Souza pela população de Franca. É preciso agir para evitar que a Prefeitura de Franca, como instituição, perca ainda mais o respeito que merece. Com firmeza e bom senso. E rápido.