Já parou para pensar sobre a sua cidade? As ruas por onde você transita todos os dias, as praças que permeiam os bairros, os ônibus circulando, disputando espaços com carros, motos, ciclistas e pedestres? Já pensou nos novos bairros e na necessidade de que haja limpeza urbana, unidades básicas de saúde, escolas, creches e vias que facilitem o vai-e-vem das pessoas?
Muitas vezes, na correria dos dias e com o hábito diário de ir ao trabalho e voltar para casa, nos esquecemos que as cidades são, no final, nosso habitat. Os espaços públicos só existem para que sejam usados pelas pessoas. Por cada cidadão, democraticamente.
No entanto, vemos nas cidades de todo o País, esses mesmos espaços tomados por sujeira e insegurança - seja pela falta de iluminação ou de policiamento.
Essa, claro, não é uma realidade exclusiva de Franca. Mas, infelizmente, na cidade os problemas se avolumam, somando-se a invasão do comércio ambulante não autorizado e, ainda mais triste, por moradores de rua que, muitas vezes, vêm de longe e transformam parques, pontes, praças e marquises em casa sem perspectiva de uma vida melhor.
Neste momento, a prefeitura de Franca e a Câmara Municipal discutem um novo plano de Mobilidade Urbana. Ideias para melhorar a maneira como as pessoas circulam por Franca.
Todo o plano começou impulsionado por uma lei federal de 2012, que rendeu reuniões e fóruns públicos até 2015 e depois se perdeu num trabalho interno da prefeitura até voltar à pauta no último mês.
O trabalho é extenso e complexo. Pensar em como melhorar o trânsito nas ruas estreitas do Centro de Franca, em melhorar a malha de ciclovias, em resolver gargalos antigos pelos bairro não é tarefa fácil. Ao contrário.
Um grupo de jornalistas, arquitetos, publicitários e engenheiros criou, anos atrás, o Cidades para Pessoas. Em 2016, o projeto se tornou “a primeira embaixada brasileira da plataforma de criação e inovação Pakhuis de Zwijger, organização que promove eventos sobre os desafios urbanos da cidade contemporânea, com o objetivo de informar, inspirar e criar a transição para uma sociedade sustentável”, como explica o portal do projeto. O grupo visitou diferentes cidades no mundo inteiro, de Copenhaguen, na Dinamarca, e seu incentivo pelo uso da bicicleta como meio de transporte de massa, a Curitiba (PR), onde a mobilidade urbana efetivamente funciona. O projeto continua, com discussões frequentes sobre como é possível que as pessoas realmente utilizem e aproveitem os espaços públicos da melhor maneira, pensando na coletividade.
Na próxima terça-feira, representantes da prefeitura devem ir até a Câmara detalhar o plano de mobilidade urbana a ser aplicado em Franca. É um convite para que toda a população participe e acompanhe o que está sendo pensado na cidade. O projeto em análise pelos vereadores de Franca, no entanto, está longe de ser a solução para os problemas da cidade. Muito longe. Mas poderia ser a semente para uma discussão e uma reflexão permanentes sobre como o cidadão da cidade pode usufruir cada vez mais - e melhor - dos espaços públicos da cidade.