05 de abril de 2026

A chegada do outono


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A chegada do outono esse ano foi caprichada. Combinou-se com a lua que ela se apresentaria em estado de graça e com os alísios que diminuíssem suas febres. Nós agradecemos e com um pouco de faro pudemos sentir uma discreta diferença no ar. Saio de casa às 6 da manhã e essa semana, por vontade ou necessidade, vesti uma leve blusa de mangas longas. Estivéssemos no Hemisfério Norte eu diria para vocês aproveitarem as últimas alfaces ou quaisquer das folhas verdes delicadas, só que não é o nosso caso. Nós continuaremos a saborear saladas, desde as quase brancas americanas, passando pelas delicadas, quase verde pistache, alfaces lisas, até os profundos verdes rúculas e agriões. O que muda então para nós?

Vai esfriar um pouco, os dias serão mais curtos, mas em termos gastronômicos, se não quisermos perceber, nada mudará. Mas para quem está disposto a viver a vida também pela boca pode-se preparar, por exemplo, para os abacates. Nossa área de conforto com essa fruta é o açúcar, ou a sobremesa. Melhor dizendo, até pouco tempo ela era feita só para frapê. Mas pode-se tentar sem medo e sem qualquer habilidade especial a guacamole – o sabor é muito bom e acompanha qualquer refeição. Outra possibilidade muito prática é simplesmente colocar talhos dele numa salada de folhas e, ao invés do molho vinagrete, optar por um molho mais denso para saladas, como o da Ceaser.

É tempo das batatas doces, amarelas, rosadas e roxas. Assadas com cebolas, alecrim e tomilho podem ser uma refeição. É tempo de caqui, fruta que mantém sua teimosia e não cedeu aos nossos caprichos de querer tudo em qualquer tempo. Acredito que os adoradores dessa fruta esperam ansiosos pelo tempo outonal que trará de volta essa bela fruta com seu laranja vítreo. Para qualquer calda ou compota com caqui, a dica é: cozinhá-la o menos possível, o ideal é desligar o fogo e deixá-la apenas boiar no calor derradeiro das preparações.

É tempo de marolo! E novamente a gente vai fugir dele? Julgá-lo pela carapaça e temer afundar os dedos na sua viscosidade? Tomara que não. Eu não conhecia, mas pode-se fazer algo bem familiar com o marolo: doce de leite com marolo. Uma antiga receita mineira mistura leite, leite condensado, os favos do marolo, escaldados para retirada da “areia”, bicabornato e açúcar.

Também é tempo de banana maçã. Nem me lembro mais há quanto tempo troquei a banana maçã pela prata e nanica, por pura prevenção. Cansei de me decepcionar com as pedras. Agora me pergunto: será que as bananas maçãs de outono seriam mais cordiais? Será que as pedras seriam o inconformismo, a areia que incomoda a ostra?

Passarei o outono tentando e no inverno conto a vocês.