07 de julho de 2026

Barba e Bala


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Moda, como diz sabiamente o designer brasileiro Ronaldo Fraga, é política. Como estilista ganhou prêmios por inovar o olhar sobre valores essenciais à cultura brasileira e, por que não?, humana. O modo de vestir, o modo de nos apresentarmos, em roupas, em objetos, palavras, ao outro - conhecido e desconhecido, até a nudez!, são todos costumes datados. Nos museus, vemos, reverenciadas, as que, hoje, são chamadas de gordinhas. O corpo e até as doenças são culturalmente definidas.

Como se vive e como se morre: criações humanas.

Cor, tecido, cabelo da moda. A Revolução de Costumes, anos 60, com Beatles, hippies, cabelos compridos para homens e mulheres, jovens nas ruas, conversas infinitas nas universidades, havia a mensagem - tentativa de “mudar o mundo” - consideração por singularidades, respeito às pluralidades. Liberdade e respeito ao “feminino”.

Hoje, a moda parece democrática. Paradoxalmente, pouca simplicidade: muito brilho, muita estampa, muita cor, tudo muito, excesso. Muita oferta de comida, bebida, viagens, exposição (mídias), som. Anestésicos também: drogas psiquiátricas ou não; crenças e novos gurus florestam. Informações a granel: pouco tempo e estreito espaço para processamento psíquico.

Andamos cegos e surdos... aperfeiçoando capacetes e armaduras para suportarmos minimamente a sobrecarga. A vida passa... sem registro, sem lembrança armazenada – como e onde guardar as experiências de modo a cozer e coser sabedorias? Saramago escreveu a obra prima do século: “Ensaio sobre a Cegueira”. Difícil de ler, difícil de digerir.

Cadê o invisível aos olhos? Cadê o degustar dos sentidos? Cadê o tempo para os mais íntimos? Até o Eu para Eu mesmo?

A “barba de lenhador” nos homens é retrô - tempos primitivos? O revólver - símbolo faroeste americano - mais necessário que a Lei? Tantos sinais viris!

O que aconteceu no espaço de 60 anos, que as bandeiras por mudanças ficaram tamanhamente opostas?