Um mês após toda polêmica envolvendo universitários do curso de medicina da Universidade de Franca (Unifran), a Promotoria divulgou o depoimento dado pelo médico, responsável por comandar o juramento onde calouras prometem atos absurdos. Na oitiva realizada no dia 12 de fevereiro, o jovem reconheceu o aspecto machista e ofensivo do juramento.
O ato causador de uma polêmica nacional aconteceu no dia 4 de fevereiro. Alguns alunos e ex-alunos do curso medicina realizavam o costumeiro trote para a nova turma, até que um dos jovens pede para que as novas alunas se ajoelhem para realizar o juramento. Em vídeos divulgados nas redes sociais, as jovens aparecem ajoelhadas repetindo palavras ditas pelo “juramentista” que é ex-aluno da universidade.
No juramento as calouras são induzidas a prometer “nunca recusar a uma tentativa de coito de um veterano”, dentre outras promessas absurdas.
O vídeo não demorou a chegar até as autoridades com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Com isso foi iniciada uma investigação do Ministério Público, onde foi proposto pelo promotor Paulo Correa Borges um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), porém a Universidade e o médico não aceitaram pagar as indenizações de R$ 10 mil e R$ 20 mil, por danos morais coletivos. O termo propunha também a realização de eventos de conscientização e trotes solidários, além do apoio em evento programado pelo Conselho Municipal da Condição Feminina realizado no dia 6 de fevereiro. O médico deveria pagar uma indenização e fazer uma retratação pública.
Com o proposto, a universidade francana informou que não poderia ser penalizada, pois não ficou omissa no caso, proibindo qualquer tipo de trote ou atos semelhantes dentro da faculdade.
Em entrevista concedida ao G1, o advogado de defesa do médico, Carlos Constantino, afirmou que não concorda com o pagamento por danos morais coletivos exigido no TAC por ser algo considerado difícil de mensurar, inclusive pelos tribunais de justiça. Ele ressaltou, no entanto, que o médico estaria disposto a fazer uma nova retratação pública se fosse necessário.
"Eu parei pra pensar. Realmente é um discurso feio, é um discurso machista", disse o médico no vídeo divulgado pela promotoria. O jovem demostrou arrependimento, porém voltou a falar sobre a proporção inimaginável do ato. "Tem um conteúdo ofensivo, só que por perdurados atos a gente nunca tomou noção", afirmou o jovem no vídeo divulgado.
O médico ressalta que tudo não passou de uma brincadeira ao citar a irmã, que estava na primeira fila, junto das outras jovens que realizavam o juramento. "Ninguém vai ter a intenção de reproduzir isso que está falando. Além do mais, minha irmã está lá, eu não ia desejar mal pra minha irmã.”
O jovem recém-formado na faculdade faz parte da Atlética do curso e por esse motivo foi convidado por alguns integrantes parece realizar o juramento. O advogado de defesa de dele afirma que tudo foi feito com a aprovação dos novos alunos e que em momento algum os jovens foram forçados a permanecer no evento que ocorreu fora das dependências da universidade.