08 de julho de 2026

O melhor jejum


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Estamos vivendo o tempo da Quaresma, época de reflexões acerca da data mais importante do Cristianismo, a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. O Santo João Paulo II e agora o Papa Francisco destacam a melhor maneira de observar o jejum, muito menos em deixar de comer, e mais em manifestações concretas de amor. Muitos falam em ficar o período todo ou parte dele sem comer o chocolate que adora, ou tomar refrigerante, ou privar-se da costumeira cervejinha. Tudo é válido, porém muito mais agradável aos olhos de Deus é reconciliar-se com alguém próximo ou fazer jejum de fofocas, de ódio, de amarguras e egoísmo. Fazendo isso, já estará em constante oração nesse e nos demais períodos. Antigamente, a demonstração de respeito chegava algumas vezes ao exagero, começando pelas determinações da Igreja, passando um temor aos nossos avós e nossos pais, que proibiam até alguns tipos de música, e na Sexta-Feira Santa, nem podia varrer a casa, e meu pai, nem tirava a camionete da garagem. Lembro-me de uma passagem, acontecida após a procissão do Senhor Morto. Eu estava com minha mãe, mulher muito religiosa, que havia ficado o dia todo em jejum, e quando voltávamos para casa, ela se esqueceu, entrou num bar e pediu um pastel...de carne. Depois de comê-lo, ela se lembrou, começou a chorar e voltou até a igreja, contando para o sacerdote. Este, felizmente era de pensamento mais evoluído, tranquilizou minha mãe, dizendo que ela não havia feito por desrespeito, e aconselhou: “Dê um pão, um doce ou um refrigerante para uma pessoa pobre na rua e Jesus vai ficar mais satisfeito”. Pronto, ela se recuperou, fez o que ele pediu e voltamos para casa. Isso mostra que devemos respeitar sim, mas  observando que o amor ao próximo e a caridade são mais importantes. Esse é o melhor jejum.