10 de julho de 2026

Acusados de matar Núbia são ouvidos em nova audiência


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Os três acusados: Lauany Viodres, Leonardo Cantieri e Ítalo Neves

Atualizada às 20h12 

 

Começou nesta quinta-feira, 7, no Fórum de Franca, às 13h30, a nova audiência de instrução do caso Núbia Ribeiro, jovem que foi assassinada em 2017. Estiveram presente os três acusados: Lauany Viodres, Leonardo Cantieri e Ítalo Neves.

A audiência teve início com o depoimento da mãe da vítima, Tânia Ribeiro. Ela disse que não chegou a conhecer Leonardo antes do crime. “Demos falta da Núbia e fui informada que o carro dela estava abandonado na rodovia, foi quando tudo começou. Eu nem cheguei a conhecer o Leonardo, ele levou a Núbia para jantar duas vezes na casa dele, e eu nem sabia. Não o conhecia, muito menos a Lauany”, disse Tânia.

O segundo a ser ouvido foi o primo de Ítalo Neves, Robert Santos. O juiz leu o depoimento que ele deu à polícia, que foi confirmado por Robert. “Eu só recebi uma ligação do meu primo, perguntando se eu estava sabendo de algo, eu só disse que estava em toda mídia, o sumiço de uma moça chamada Núbia”, disse.

Logo depois, o pai de Leonardo, João Cantieri, foi ouvido e manteve o discurso que apresentou anteriormente, de que Leonardo era manipulado por Lauany. “Depois que ele começou a se relacionar com a Lauany, começaram os problemas. Ela batia nele e ele ficava calado. Ela proibia ele de ir na minha casa, ela quem atendia o telefone dele Ele nunca demonstrou agressividade, foi meu filho mais carinhoso. Ele mudou depois que conheceu Lauany, começou a desandar, não houve uma razão específica, mas a gente percebia que ele mudou o comportamento. Ela era agressiva, já a presenciamos agredindo ele na porta da minha casa. No dia do desaparecimento, eu fiquei sabendo e fiquei tranqüilo, pois jamais imaginei que ele pudesse ter feito alguma coisa”, disse ele.

O agente policial Sandro Rocha, responsável pelo esclarecimento do caso, também foi ouvido e disse que através das imagens de uma câmera de um estabelecimento foi possível ver Núbia entrando no carro de Leonardo. “Vimos o carro do Leonardo, um VW Gol, uma pessoa chega logo depois em um Honda Civic, e essa pessoa chega e entra no carro de Leonardo”, disse.Letícia Gomes, amiga da Lauany, foi ouvida logo após o agente. Ela contou sobre a relação com a acusada, disse que as duas saiam para festas nos finais de semana e que só conheceu Leonardo quando presenciou uma discussão do casal meses antes do crime. “Meu contato com ela era mais nos finais de semana, depois ela se afastou bastante e sempre quando saíamos ele ligava para ela e ela ia embora, pois sempre ele ligava. Ele não aceitava que ela saísse sozinha”.Ela disse que quando Leonardo ficou com Núbia, Lauany a chamou pra ir até o brechó de Núbia. “Ela queria saber se eles tiveram relação sexual, foi uma conversa tranqüila, não houve agressão. Depois disso ela ligou para o Leonardo e fomos em uma pracinha, onde ela começou a agredi-lo”, disse Letícia. 

Em depoimento de Emerson Silva, primo de Ítalo Neves, que está preso, ele contou que estava em um bar no Vera Cruz, quando Leonardo e Lauany pararam na casa de Ítalo. Ele foi até a casa e se deparou com os dois em um veículo Gol, os acusados pediram para que vigiasse o carro, pois eles iriam lavar as mãos. Como eles não retornaram, ele saiu para dar uma volta e só retornou por volta a 1h da manhã. Foi quando sentiu cheiro de queimado e questionou os acusados, em resposta, Leonardo disse que estavam queimando uma bolsa e documentos de uma moça que haviam roubado, mas não deram maiores detalhes. “Eles me deram um cartão de memória com fotos pessoais dela e pediram para que eu sumisse com ele. Eu estava com o Robert e recebemos uma ligação de Lucas (irmão de Lauany) perguntando o que havia acontecido, o Robert não quis falar com ele”.

Fernanda Rocha, amiga de Lauany, prestou depoimento em seguida. Ela disse que Lauany e Leonardo estavam morando juntos. “Me distanciei dela porque Leonardo não gostava muito de mim”, disse. “Ela (a Lauany) disse que ia em um show comigo, mas depois mudou de ideia. Depois do desaparecimento de Núbia, ela me pediu pra dizer que eu havia ido no show com ela, mas eu disse que não ia mentir”.

Edilaine Oliveira, amiga de Núbia, prestou depoimento na sequência. "Ela sempre dizia que estava comigo para a mãe. Ela me contou que ia comer um lanche com Leonardo e ainda a questionei se era com ele mesmo. "Às 6h da manhã a mãe dela me ligou e disse que ela não havia chegado. Eu fui até a casa do Leonardo e chamei a mãe dele. Ela me informou que ele estava trabalhando em uma oficina e que não falava com o filho havia dois meses. Toda vez que eles largavam, o Leonardo procurava ela". 

Irmã de Ítalo, Michelen Crislaine, falou em seguida. Ela contou que o irmãoo estava em casa quando Leonardo e Lauany chegaram, por volta das 23h, e entraram no banheiro, lavaram as mãos e saíram com Ítalo em seguida. 
"Ele disse que precisava usar droga para dormir para trabalhar no outro dia. Levei ele até a São Sebastião e depois voltamos”, disse. "Depois que eles saíram e voltaram, vi eles com luvas, queimando as coisas da bolsa no fogão a lenha".
 
O delegado Márcio Murari, responsável pelas investigações, disse que a informacão da localização do corpo partiu de Ítalo e que Lauany alega que quem golpeou Núbia foi Ítalo. Porém, não é a mesma versão que os outros envolvidos deram e Leonardo teria apresentado várias versões diferentes. "Começamos com a equipe de investigadores através do contato com a amiga Edilaine, que passou informacões fundamentais sobre o relacionamento dos dois. E depois o carro foi localizado. Lauany pegou mensagens de Núbia para Leonardo através do Facebook e fez ele marcar o encontro com a vítima. Durante as investigacões, foi possível perceber que Leonardo tentou se insentar da culpa, dizendo que apenas promoveu o encontro. Por outro lado, Lauany disse que quem golpeou a vítima teria sido Ítalo", disse. 
 

Lauany prestou depoimento e seguiu mantendo sua versão de que Ítalo quem matou a vítima. Ela disse que ao ver que Núbia teria aceitado um convite de amizade de Leonardo no Facebook, teria brigado com Leonardo durante a tarde. ‘Ele começou a fumar maconha e a beber. Ele disse que ia promover um encontro entre nós e que era para nós resolvermos isso. Depois da briga, eu disse que ia em um show e ele não quis deixar. Fui até a casa do Ítalo para fumar maconha e ele foi junto. Depois disso, ele disse que íamos encontrar a Núbia. Ele mandou eu pular para o banco de trás e começou a falar com ela. Ele segurou ela e eu não sabia de nada. Ele mandou eu dirigir até uma estrada e quando paramos ela já estava com o rosto com sangue. Ela já estava machucada e voltamos na casa do Ítalo e deixamos ela lá. Pedimos para o Ítalo buscá-la, que daríamos uma pedra de crack a ele. Depois ele voltou dizendo que ela acabou morrendo. Eu queria chamar uma ambulância, mas não quiseram, com medo de serem presos, na hora eu travei‘, disse Lauany e completou: ‘O Leonardo disse que nós íamos jogar tudo no peito do Ítalo”.
 
Leonardo Cantieri se mantém em silêncio e não  fala sobre o caso "prefiro me manter em silêncio".
 
Ítalo Neves disse, em seu depoimento, que estava em casa e Lauany e Leonardo chegaram pedindo para guardar uma moto em troca de 75 gramas de maconha. "Eu vi eles saindo no Gol e ela estava no porta malas. Por volta das 23h 15 eles voltaram e pediram para lavar as mãos e notei que ele tinha alguns machucados na mão. Eles pediram para que eu tirasse um carro do local (Honda Civic) porque o veiculo estava rastreado. Levei até a Nelson Nogueira e eles acompanharam com o Gol. Paramos em um certo ponto e eles começaram a limpar o carro. Perguntei a eles e eles disseram que mataram uma garota".
 
Ítalo relatou que Lauany disse que foi ela quem matou Núbia e que a acusada disse que ela morreu porque "Tinha que morrer". "Eles me contaram tudo, que ela quem matou, que ela mereceu e tudo mais. Depois disso, voltaram para minha casa e começaram a queimar os documentos. Nem fui no local do crime. Só sabia informar onde estava o corpo porque eles me disseram", disse ele.