Numa cena de novela, a mulher aproxima-se de um rapaz a quem parece reconhecer. Sem que jamais se tenham visto, revela-se, entre eles, intensa afinidade. Tomada por forte emoção, ela recorda que ambos vivenciaram um grande amor, na vida anterior.
E pode-se perguntar: as pessoas que se amaram numa vida, continuam a amar-se na existência seguinte? A Doutrina Espírita explica que o amor absoluto é para sempre, porém, há que se considerar que afinidade entre espíritos, encarnados ou não, depende de que tenham os mesmos gostos, preferências, inclinações, o que, por sua vez, depende do estágio evolutivo que particularmente experimentam. Se, evoluindo, um avançar mais depressa, o distanciamento moral pode torná-los indiferentes entre si, podendo, todavia, mais tarde, voltar a coincidir sua visão de vida e, novamente, se atraírem. É o amor relativo, e não o de que falou Jesus na pergunta: “quem é minha mãe e quem são os meus irmãos, senão aqueles que fazem a vontade de meu Pai?”.
O Espiritismo O repete ao ensinar-nos que a verdadeira família é a universal, e quando ostentarmos o amor preconizado pelo divino Mestre, estaremos amando a todos irrestritamente.
É oportuno observar: em nosso atual estágio evolutivo, enquanto alunos no aprendizado consanguínio do amor, reunidos, ou por força de interesses materiais, ou por necessidade intransferível de resgates entre familiares, cumpre-nos guerrear contra a falsidade, a infidelidade, a traição, com vistas à incondicionalidade do verdadeiro amor.
Emmanuel, que foi psicografado pelo Chico Xavier, assevera: “é na família que estão devedores e credores do passado”, e onde, um dia, se ajustarão, amando-se.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca