Uma epidemia sem precedentes. Com 2.503 casos de dengue notificados, 206 positivos, sendo 12 importados e 50 negativos, a cidade de Franca trava uma verdadeira batalha para conter o avanço da doença na cidade. Depois de viver grandes epidemias em 2015 e 2016, a cidade tem registrado, em média, 47 novos casos suspeitos de dengue por dia. E a tendência, de acordo com o secretário de Saúde, José Conrado Netto, é que com o retorno das aulas em todas as universidades, associado ao Carnaval, em que normalmente muitas pessoas viajam e que a cidade também recebe muitos turistas, é que este número siga crescendo.
“Com o avanço da doença, nossa principal preocupação agora é atender com qualidade todos os pacientes, por isso temos reforçado este trabalho. Em todos os dias equipes da Vigilância realizam bloqueios de suspeitos e o trabalho de controle do mosquito transmissor, que tem que ser fomentado dia a dia, é realizado. Com experiência em outras epidemias da doença, sabemos que o número de suspeitos pode aumentar consideravelmente com o retorno de todas as universidades, com a chegada de novos moradores na cidade, e também com o Carnaval”, explicou Conrado Netto.
Para conter a doença, além do serviço de atendimento aos pacientes, que foi reforçado em todas as UBSs (Unidades Básicas de Saúde), a Secretaria de Saúde, em parceria com a Secretaria de Serviços e Meio Ambiente, tem reforçado o serviço de controle do mosquito Aedes Aegypti nas residências e também os arrastões de limpeza. Outra medida será o aumento no número de servidores que atuam no serviço de controle de vetores, já que o número atual, segundo o secretário, é insuficiente para o tamanho da cidade. (Veja mais em texto nesta página)
Região
Em algumas cidades da região, como São Joaquim da Barra, Ituverava e Guaíra, foram registrados casos de mortes suspeitas por dengue. A situação, pela proximidade com os locais, gera ainda mais apreensão nos francanos.
Apesar de vizinhas, em cidades como Cristais Paulista (17 suspeitos e 2 confirmados), Restinga (30 suspeitos e 4 confirmados) Rifaina (5 suspeitos) e as mineiras Claraval ( 3 suspeitos e todos negativados) e Cássia (55 suspeitos e 2 positivos), a situação ainda é tranquila, mas demanda atenção. Em todas têm sido feitas campanhas de prevenção e conscientização, além de visitas residenciais de agentes e arrastões de limpeza.
“Hoje cerca de 90% da população de Restinga trabalha fora, principalmente em Franca, o que nos deixa em alerta. Temos reforçado visitas em residências, com a conscientização da população e estudamos a possibilidade de realizar uma dedetização na cidade”, disse o diretor de Saúde de Restinga, Moisés Radaeli.
Câmara deve votar nesta terça cargos para ajudar no combate a dengue
A Câmara Municipal deve votar com urgência, nesta terça-feira, 26, o projeto de lei encaminhado pelo prefeito Gilson de Souza (DEM) que cria 343 cargos na Prefeitura. Parte dos cargos, como o de agente de controle de vetores, que prevê a contratação de até 51 servidores, deve auxiliar diretamente no combate à dengue na cidade, que vive neste ano uma epidemia. Hoje, de acordo com o secretário de Saúde, José Conrado Netto, os 43 agentes de controles de vetores, juntamente com os 8 supervisores de campo, são insuficientes para atender uma cidade do tamanho de Franca.
Idealizado para ampliar e principalmente recompor o quadro de pessoal defasado da Prefeitura, o projeto de lei conta ainda com a criação de agente de defesa civil (4);agente saúde pública PSF (42); auxiliar de saúde (26); auxiliar de necropsia (9); técnico de enfermagem (95); enfermeiro (19), farmacêutico (21) e motorista (17), entre outros.
Antes de ser votado na próxima sessão, o projeto de lei, que prevê o impacto financeiro de R$ 8,7 milhões em 2019, R$ 16 milhões em 2020 e R$ 16,7 milhões em 2021, deve ser analisado pelas comissões de Finanças e Justiça, além do setor jurídico da Câmara.