Abriu-se para o Brasil uma oportunidade única. O povo deu o recado nas urnas. Ressalvados aqueles acostumados com a situação, a maioria entende que a política partidária já abusou demais da paciência do povo.
Quase quarenta partidos, como se fosse possível quarenta ideologias para coordenar o poder e para exercê-lo em nome da população. Os partidos parecem descartáveis. São utilizados para obtenção de tempo de TV – e, graças a Deus, isso já não interessa a quem acompanha o que acontece nas redes sociais – e para obter recursos financeiros através do Fundo Partidário.
Diante da falência da representação, por que não aproveitar e fazer uma reforma para valer? Redução imediata do número de partidos. Não a tímida cláusula de barreira que submeterá a cidadania a esse espectro até o ano 2030. Extinção do Fundo Partidário. Um país que luta com dificuldades não tem o direito de se dar ao luxo de sustentar partidos políticos.
Se estes são essenciais à Democracia, devem funcionar sustentados por quem acredita neles. Assim como se tentou fazer com os sindicatos, que viviam com a contribuição sindical compulsória, dever-se-ia fazer com os Partidos Políticos. Quem quer se filiar, contribua com recursos próprios. Não suar dinheiro de, educação, saúde, segurança...para que essas representações funcionem.
O que os Partidos fizeram, para formar uma cidadania participativa? Desconheço os resultados de qualquer investimento consistente nesse projeto. É mais do que urgente mostrar a quem manifestou seu ressentimento nas urnas, que há condições de o Brasil enfrentar as calamidades que obstaculizam sua caminhada rumo ao verdadeiro desenvolvimento. Começar por cortar na própria carne. Já que a Democracia Representativa está em evidente cansaço de material, por que não injetar ânimo na cidadania que ainda não perdeu a esperança? Seria um bom começo e a oportunidade é esta. Aproveitar o calor das eleições para mostrar que o Brasil iniciou nova fase.
José Renato Nalini
Reitor da Uniregistral, docente, conferencista e autor de Ética Ambiental