O Gaeco (Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e a Polícia Militar realizaram, na manhã dessa quarta-feira, 20, a 2ª fase da operação “Eminência Parda” na região.
Ao todo foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão nos municípios de Morro Agudo, Orlândia, Sales de Oliveira e Ribeirão Preto, que foram expedidos pelo Juízo de Morro Agudo. Os mandados envolvem quatro investigados.
Segundo a polícia, os investigados estariam envolvidos em crimes políticos na cidade de Morro Agudo.
Duas ações penais estão em andamento contra 28 pessoas diretamente envolvidas em crimes praticados contra a Prefeitura. Dois réus já acusados, fizeram um acordo de colaboração premiada com o Gaeco e a Procuradoria Geral de Justiça. A operação visa investigar empresários que de alguma forma se aliaram ao então candidato a prefeito da cidade de Morro Agudo, Gilberto Barbeti, que após ser eleito, acabou beneficiando as empresas com contratações diretas para que elas pudessem reaver todo o dinheiro que foi aplicado durante a campanha.
“Vários anexos dessa colaboração foram elaborados e hoje cumprimos os mandados com o objetivo de dar seguimentos no primeiro anexo da colaboração premiada.
Os benefícios estavam diretamente relacionados, para que o então candidato pudesse ser eleito. Ele conquistou votos, comprando pessoas prometendo que posteriormente seriam feitas contratações diretas até o valor de R$ 8 mil para que essas pessoas pudessem reaver essas quantias e, como esse valor tem um limite, ele sugeria que as pessoas abrissem firmas no nome de parentes ou amigos para que ele pudesse emitir notas da Prefeitura e assim pudesse aumentar o valor de negociação”, disse o promotor Rafael Piola.
Durante e após a campanha, sempre segundo o promotor, o prefeito continuou favorecendo aqueles que o apoiaram e com isso a Prefeitura teve um prejuízo alto e as empresas que não “colaboraram” com a candidatura não podiam participar de licitações, já que era tudo direcionado.
“Temos uma gama de investigações pela frente. Um dos empresários alegou que teria uma divida de R$ 140 mil com a Prefeitura. Algumas máquinas, computadores, dinheiro e documentos foram apreendidos. O foco era ser bem cirúrgico na busca.
Eles responderão por favorecer uma organização criminosa, fraudar licitações na qual foram beneficiados e eventuais corrupções. Agora, o próximo passo é a análise desses documentos, finalizou o promotor.
Operação Eminência Parda
O Gaeco e a Procuradoria de Justiça realizaram, em abril de 2018, a fase externa da “Operação Eminência Parda” com o objetivo de apurar crimes de responsabilidade, corrupção, peculato, fraudes em licitações, lavagem de dinheiro e organização criminosa praticados na administração municipal de Morro Agudo.
Na época, a investigação já apontava ações articuladas na alta administração pública.
Foram expedidos pela Vara Única da Comarca de Morro Agudo seis mandados de prisão temporárias e 18 mandados de buscas para Secretários Municipais, funcionários, vereadores e empresários locais.
Atualmente estão bloqueados pela Justiça, 21 veículos, o valor aproximado de R$ 700 mil e 18 imóveis.